Federico PARRA / AFP
Federico PARRA / AFP

Jornalistas estrangeiros são detidos na Venezuela

Dois chilenos, dois venezuelanos e dois franceses foram presos enquanto cobriam as manifestações; um fotojornalista da agência EFE está desaparecido

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2019 | 00h43

CARACAS - Após vários repórteres estrangeiros serem presos enquanto cobriam as manifestações em Caracas, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, afirmou nesta quarta-feira que os jornalistas de meios de comunicação estrangeiros e agências que visitem a Venezuela devem cumprir as permissões e "trâmites indispensáveis" para realizar sua cobertura na Venezuela.

"Como em qualquer país do mundo, os jornalistas não podem atribuir a si mesmos uma credencial. Meios de comunicação e agências internacionais sabem que para evitar inconvenientes desnecessários devem realizar os trâmites indispensáveis nos consulados, antes de sua viagem ao país", escreveu Arreaza em sua conta no Twitter.

Em outra mensagem, acrescentou que "alguns jornalistas estrangeiros ingressaram" na Venezuela "de forma irregular sem cumprir previamente com a respectiva solicitação da licença de trabalho" nos consulados.

"Vários tentaram entrar no palácio presidencial sem credenciamento", disse o diplomata. As mensagens de Arreaza são divulgadas no momento em que estão sendo reportadas várias detenções e deportações de jornalistas estrangeiros.

Nesta quarta-feira um fotojornalista de nacionalidade colombiana da agência EFE, Leonardo Muñoz, desapareceu com seu motorista venezuelano José Salas em Caracas, onde desenvolvia seu trabalho profissional no meio da crise que assola o país.

Muñoz chegou a Caracas no último dia 24 com  outros dois companheiros de Bogotá e passou pelos oportunos filtros migratórios para realizar seu trabalho na Venezuela.

A equipe foi registrada pelas autoridades no aeroporto internacional Simón Bolívar de Maiquetía, que serve Caracas, e ali declararam o trabalho jornalístico que realizariam na Venezuela.

Salas e Muñoz partiram no começo da manhã desta quarta-feira para trabalhar nas jornadas de protesto no leste de Caracas e a última vez que tiveram contato com seus companheiros foi por volta de 11 horas (horário local, 13h de Brasília).

As autoridades do país estão informadas do fato sem que até agora tenham dado alguma resposta a respeito.

Além disso, na terça-feira quatro jornalistas, dois venezuelanos e dois chilenos, foram detidos quando cobriam a atividade de vigília convocada pelo governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) nas imediações do Palácio de Miraflores.

Os dois venezuelanos, Maiker Yriarte e Ana Rodríguez, foram libertados na manhã desta quarta-feira, enquanto, de acordo com a informação oferecida pelo Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP), os chilenos Rodrigo Pérez e Gonzalo Barahona foram deportados.

Outros dois jornalistas franceses, que viajaram a Caracas para cobrir a crise política venezuelana, também foram detidos durante a terça-feira, segundo denunciou o Quotidien, programa transmitido pela emissora de televisão para a qual trabalham.

Segundo a emissora "Franceinfo", trata-se de Pierre Caillet e Baptiste dês Monstiers, que supostamente foram detidos enquanto gravavam no palácio presidencial de Miraflores em Caracas. / EFE

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