Jornalistas feridos em Homs chegam a Paris

Governo francês chegou a perder o paradeiro do fotógrafo William Daniels e da repórter Edith Bouvier na Síria

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2012 | 03h02

Dois jornalistas franceses retidos de Homs em meio aos ataques das forças de Bashar Assad, Edith Bouvier e William Daniels, chegaram na noite de ontem à França, depois de nove dias encurralados no bairro insurgente de Bab Amr. Os dois conseguiram fugir para Beirute, no Líbano, na quinta-feira, com a ajuda de rebeldes. De lá, o governo francês os levou de volta a Paris.

Enquanto a repórter foi levada diretamente a um hospital da capital francesa, o fotógrafo fez um breve relato do que viu. Em homenagem aos insurgentes, afirmou: "São heróis que estão sendo massacrados".

O drama dos dois franceses teve início em 22 de fevereiro, quando as Forças Armadas intensificaram a ofensiva militar realizada contra o bairro de Baba Amr. Nesse dia, o prédio em que os jornalistas trabalhavam sem autorização do governo na cidade, foi bombardeado. No ataque, morreram o fotógrafo francês Rémi Ochlik e a repórter britânica Marie Colvin. Edithteve fratura dupla em um dos fêmures.

Insensível aos apelos da comunidade internacional, o governo não atendeu os pedidos de abertura de um corredor humanitário para o resgate dos profissionais. Édith chegou a gravar um depoimento divulgado pela internet, no qual pedia intermediação externa para deixar o país.

Na noite de domingo, uma operação foi organizada por rebeldes para retirar os jornalistas de Homs. Estavam no comboio Édith, o repórter britânico Paul Conroy - ambos feridos em macas - além de Daniels e do espanhol Javier Espinosa, do jornal El Mundo. Escoltado por insurgentes armados, o grupo fugiu por um túnel e seguiu uma rota de contrabando de 30 quilômetros que liga a fronteira Homs com o Líbano. No caminho, minado e patrulhado por tropas de Assad, o grupo foi atacado por atiradores de elite e teve de se dispersar. Conroy conseguiu escapar, mas pelo menos 13 rebeldes foram mortos. Dois dias depois, Espinosa também fugiria.

As autoridades ocidentais chegaram a perder os rastros de Édith e Daniels - cuja libertação chegou a ser anunciada pelo presidente Nicolas Sarkozy.

Na quarta-feira, um comboio da Crescente Vermelho foi autorizado a ingressar em Homs, mas as ambulâncias não encontraram os jornalistas no local combinado.

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