Jornalistas ilegais na Líbia serão tratados como 'terroristas'

Governo acusa Al-Qaeda de estar por trás dos protestos contra Kadafi e ameaça imprensa

Agência Estado

24 de fevereiro de 2011 | 13h32

 

WASHINGTON - Autoridades da Líbia disseram a diplomatas dos EUA nesta quinta-feira, 24, que os jornalistas que entraram ilegalmente no país para cobrir as manifestações realizadas contra o governo de Muamar Kadafi serão tratados como colaboradores da Al-Qaeda, informou o Departamento de Estado americano.

 

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O comunicado do departamento alertou as empresas de comunicação que as autoridades líbias não se responsabilizarão pela segurança dos jornalistas que não tenham permissão para estar no país, e que os jornalistas poderão ser processados por violação das leis de imigração.

 

O aviso foi feito no momento em que o governo líbio parece ter perdido o controle da maior parte do leste do país, onde alguns repórteres estão cruzando a fronteira, a partir do Egito. Antes, era quase impossível obter imagens e relatos da Líbia, mas já surgem as primeiras fotos e vídeos das regiões tomadas pelos manifestantes.

 

A imprensa na Líbia está submetida a um rígido controle do governo. Os jornais e emissoras de televisão são ligados ao coronel Kadafi, e para que um correspondente internacional trabalhe no país é preciso uma autorização especial. Há canais pago, como a Al-Jazira e a Al-Arabiya.

 

Os protestos contra Kadafi começaram há 11 dias e nos últimos deles houve ataques brutais dos militares contra os manifestantes. O Exército usou caças e helicópteros para bombardear as marchas e mercenários atiraram indiscriminadamente contra a população. O ditador, porém, perdeu o apoio de diversas facções das Forças Armadas, de ministros e de diplomatas.

 

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