Jornalistas kirchneristas premiam Correa

O presidente do Equador, Rafael Correa, recebeu ontem o Prêmio Rodolfo Walsh de Liberdade de Jornalismo na cidade de La Plata, na Argentina.

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2012 | 02h06

Acusado por ONGs e organismos internacionais de defesa da liberdade de expressão de conduzir uma campanha contra a imprensa crítica equatoriana, Correa declarou apoio à Lei de Mídia do governo de Cristina Kirchner, que restringe as empresas de comunicação.

"Diante de algo tão importante como a informação, precisamos de um controle social institucionalizado por meio de leis com legitimidade democrática", afirmou Correa. "Não existe imprensa livre e independente se ela é submetida a interesses privados e desígnios do capital."

"Se um cachorro me morder, no dia seguinte entrevistam o cachorro", disse Correa durante a condecoração na Universidade de La Plata, ao acusar vários setores da mídia de seu país de agir contra seu governo.

A cerimônia, marcada pelas exaltações à integração latino-americana, foi realizada no Edifício Néstor Kirchner da faculdade de jornalismo - uma homenagem ao ex-presidente morto em 2010, de ataque cardíaco.

Kirchner foi o único ex-presidente, desde a volta da democracia na Argentina, que nunca concedeu uma entrevista coletiva.

Correa afirmou que está tentando modificar a lei de comunicações no Equador. No entanto, afirmou que "as pressões dos grupos econômicos" dificultam a modificação das normas. Correa também colocou a culpa da falta de mudanças na legislação da mídia nos deputados e senadores equatorianos, aos quais chamou de "os assalariados da assembleia-geral".

"Onde existe jornalista preso no Equador?", indagou Correa, que já processou profissionais de mídia que publicaram críticas ao seu governo. / A.P.

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