Jornalistas protestam contra nova lei de imprensa no Egito

Cerca de 200 jornalistas de veículos opositores e independentes protestaram neste domingo em frente ao Parlamento, no centro do Cairo, contra uma nova lei de imprensa que "restringe a liberdade de imprensa e protege os corruptos".Os jornalistas gritaram palavras de ordem contra o presidente egípcio, Hosni Mubarak, contra o regime e contra o Parlamento, que negociará, neste domingo, a aprovação da lei. Ativistas e deputados independentes, entre eles vários dos Irmãos Muçulmanos, também participaram do protesto.Os manifestantes condenaram principalmente duas cláusulas da nova lei que estipulam penas de prisão aos repórteres que publicarem informações falsas sobre casos de corrupção das autoridades e que criticarem os chefes de Estado do Egito ou de outro país.A manifestação coincidiu com a suspensão da publicação de mais de 20 jornais opositores e independentes como parte de uma campanha de protestos que foi iniciada na última segunda-feira, depois que o Conselho da Shura (câmara alta do Parlamento) aprovou de modo preliminar as cláusulas das punições.Entre os jornais que não foram colocados à venda estão os independentes Al-Masry Al Yum e Al Fagr, e o opositor Al Wafd."A nova lei nos surpreendeu, após a promessa do presidente de pôr fim à prisão de jornalistas", afirmou à EFE o redator-chefe do semanal Al Osbua, Mostafa Bakri.O redator-chefe, que também é deputado independente, expressou sua esperança de que o presidente intervenha na última hora para proibir a aprovação da lei "que protege os corruptos e põe em perigo todos os jornalistas".Yehia Kalash, secretário-geral do Sindicato de Jornalistas, assegurou que o organismo adotará um plano para "agravar as medidas de resistência contra a lei, porque não se pode aceitar que punam os repórteres quando condenarem a corrupção".Os deputados do governante Partido Nacional Democrático, que ocupam a maioria das 454 cadeiras da câmara, aprovaram no sábado o projeto de lei, enquanto cem deputados independentes apresentaram ao Parlamento uma queixa por escrito.

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