Jornalistas são alvo de tiros e de blitz do fisco argentino

Sede de TV a Cabo do Grupo Clarín sofre disparos; agentes fiscais vasculham casas de repórteres da empresa

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2013 | 02h00

Dois jornalistas do canal Todo Notícias, do Grupo Clarín, foram alvo neste fim de semana de blitz da Administração Federal de Ingressos Públicos (Afip), ligada ao fisco argentino. As residências do apresentador Sérgio Lapegue e do repórter Darío Lopreite foram alvo de agentes da Afip, que vasculharam papéis e computadores. Lopreite disse ter sido impedido durante três horas de falar com qualquer pessoa. Ambos estavam com suas contas em dia com o fisco. Horas depois, a Afip emitiu um comunicado no qual sustentava que o fato de um contribuinte estar vinculado a um grupo jornalístico "não significa imunidade fiscal ou judiciária que altere o princípio de igualdade perante todos os contribuintes".

Disparos. Um dos veículos do Grupo Clarín foi alvo ontem de tiros durante a madrugada. Em um automóvel, um homem disparou com uma pistola 9mm contra a fachada da Cablevisión, empresa de TV a cabo da holding. Ninguém ficou ferido.

O governo tenta suspender a fusão feita em 2007 pelo Clarín, que obteve do governo o direito de unir a Cablevisión com a Multicanal. Paradoxalmente, a autorização foi concedida pelo presidente Néstor Kirchner em seu penúltimo dia no governo. Na época o casal Kirchner e o Clarín tinham boas relações.

Desde 2009, uma liminar protege o Grupo Clarín da aplicação da Lei de Mídia, pela qual a empresa seria obrigada a ser desmembrada. Em resposta, o Executivo argentino sancionou no início do mês uma lei que limita em seis meses a validade de liminares contra o Estado.

Cristina pretendia desmembrar o grupo em 7 de dezembro, quando venceria uma liminar concedida à empresa. A Justiça prorrogou a validade da cautelar, o que levou o governo a aprovar nas últimas semanas reformas no Judiciário. / A.P.

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