Jornalistas são obrigados a tirar roupa em Israel

Exigência foi feita para equipe de segurança revistar repórteres em entrevista com primeiro-ministro

Agência Estado

12 de janeiro de 2011 | 14h43

JERUSALÉM - A equipe de segurança do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou que uma repórter árabe grávida retirasse seu sutiã para checar se não havia nenhum objeto suspeito com ela, afirmou nesta quarta-feira, 12, um grupo da imprensa. Outros repórteres tiveram de tirar sua roupa de baixo para a revista.

 

A exigência foi feita na terça, quando jornalistas tentaram entrar em um hotel cinco estrelas em Jerusalém para a recepção anual do premiê à imprensa estrangeira. Alguns preferiram desistir do evento para não enfrentar as humilhantes revistas.

 

O incidente gerou críticas da Associação da Imprensa Estrangeira, sediada em Tel-Aviv. A entidade afirmou, em comunicado, que entende a necessidade de haver segurança, mas "não é remotamente aceitável convidar pessoas para coquetéis em hotéis cinco estrelas e então fazê-las se despir na porta".

 

Najwan Simri, uma repórter árabe-israelense e produtora, funcionária da rede de televisão Al-Jazira, afirmou que uma agente de segurança pediu a ela que tirasse o casaco e a camiseta, e por fim o sutiã. "Eu estou no quarto mês de gravidez e pedi a eles para não usarem o detector de metais em mim, mas eles não se importaram", disse ela. Quando recebeu o pedido para retirar o sutiã, a jornalista se recusou e assim teve sua entrada proibida.

 

A associação afirmou que vários de seus membros foram forçados a retirar sua roupa de baixo, incluindo o chefe do escritório em Jerusalém do Wall Street Journal. Um porta-voz da agência de segurança doméstica, o Shin Bet, responsável pela segurança de Netanyahu, confirmou um incidente envolvendo a repórter da Al-Jazira, dizendo que ela preferiu deixar o evento. As informações são da Dow Jones.

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