José Ramos Horta assume como novo premier do Timor Leste

O presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, deu posse nesta sexta-feira em Dili ao segundo governo democrático do pequeno Estado desde sua independência em 2002. O país será liderado pelo primeiro-ministro José Ramos Horta, que será responsável pela união nacional.Gusmão pediu a Ramos Horta que se concentre nos veteranos - que lutaram contra a ocupação indonésia (1975-1999) - e na juventude. O descontentamento dos dois grupos contribuiu para a onda de violência que abalou o país em abril e maio deste ano e que resultou em mais de 30 mortos e cerca de 150 mil pessoas deslocadas.A cerimônia, realizada no Palácio das Cinzas (sede da Presidência), teve a presença de dois dos vice-primeiros-ministros: Estanislau da Silva, que dirigirá a pasta da Agricultura, e Rui Araújo, que dirigirá a de Saúde.Ramos Horta disse que seus objetivos serão a segurança nacional, a economia e a estabilidade social e que sua prioridade imediata é consolidar a segurança e criar as condições necessárias para que os deslocados possam voltar a suas casas e reconstruir suas vidas.O governante, prêmio Nobel da Paz de 1996, enfrenta o desafio de criar um clima de confiança entre os 150 mil refugiados de Dili que estão, desde o início de maio, em acampamentos sob a proteção da ONU, da Igreja Católica e de organizações internacionais de ajuda."Como disse em meu discurso de posse no início da semana, nosso povo sofreu muito e muitos que eram pobres antes da crise perderam o pouco que tinham, e também perderam a fé nas instituições do Estado e nos dirigentes políticos", afirmou o primeiro-ministro.O governo iniciou seu governo com o objetivo de aprovar o orçamento do ano fiscal 2006-2007, paralisado por causa da crise que causou a renúncia do primeiro-ministro anterior, Mari Alkatiri.Governo anteriorAlkatiri, presidente da Frente Revolucionária do Timor Leste Independente (Fretilin) - o principal partido do país -, renunciou no dia 25 de junho após ser acusado de fornecer armas a um grupo de civis com o objetivo de eliminar seus rivais políticos.Sua imagem se desgastou a partir de fevereiro, quando as Forças Armadas exoneraram por insubordinação 591 militares que protestavam por melhoras trabalhistas e denunciavam o nepotismo e os abusos no corpo militar.A expulsão dos soldados foi considerada o estopim da crise. A exoneração levou a manifestações cada vez mais regulares e numerosas, até que iniciou a onda de violência.EstruturaA missão de Ramos Horta, que não milita na Fretilin, é acabar com o descontentamento entre as forças de segurança e as divisões entre os membros do antigo governo, a maioria dos quais também faz parte do novo Executivo.Ramos Horta governará com 15 ministérios, 12 vice-ministros e 10 secretários de Estado, dos quais apenas quatro são novos. Do total, sete são mulheres.O até agora embaixador do país na ONU e nos Estados Unidos, José Luis Guterres, dirigirá a pasta de Exteriores; Inácio Moreira, a de Transporte e Comunicações; José Teixeira, a de Energia, Minerais e Recursos Naturais; e Rosália Corte-Real, a de Educação e Cultura.Ramos Horta justificou a pouca renovação e disse que "nove meses é um tempo muito curto" e, por essa razão, "quanto menos mudanças, melhor".

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