Peter PARKS/AFP
Peter PARKS/AFP

Joshua Wong e dois ativistas pró-democracia são condenados por protestos em Hong Kong

Jovens tinham se declarado culpados das acusações em audiência no dia 23 de novembro

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2020 | 16h02

O líder dissidente de Hong Kong Joshua Wong e outros dois ativistas foram condenados à prisão, nesta quarta-feira, 2, por uma manifestação ilegal em frente ao quartel-general da polícia em meio aos muitos protestos pró-democracia do ano passado.

Wong foi condenado a 13 meses e meio de prisão; Agnes Chow, a dez meses; e Ivan Lam, a sete meses.

"Os dias que virão serão difíceis, mas aguentaremos", disse Wong, de 24 anos, antes de ser retirado da corte. "Este não é o fim da luta", escreveu pouco depois em sua conta no Twitter. 

"Agora nos juntamos à batalha, da prisão, ao lado de outros bravos militantes", uma batalha "menos visível, mas essencial na luta pela democracia e pela liberdade em Hong Kong", acrescentou.

Cerca de 100 apoiadores se reuniram silenciosamente dentro do tribunal antes da sentença, enquanto um pequeno grupo de pessoas pró-Pequim se reunia do lado de fora, pedindo uma sentença de prisão pesada.

Durante as audiências, em 23 de novembro, Wong e os outros dois dissidentes se declararam culpados das acusações. 

"Os réus conclamaram os manifestantes a ocupar o quartel-general [da polícia de Hong Kong] e gritaram palavras de ordem contrárias à polícia", disse a juíza Wong Sze-lai.

"A detenção é a opção mais apropriada", acrescentou, arrancando lágrimas de Chow ao ouvir a condenação.

Não é a primeira vez que Wong é preso.  O jovem, considerado pelas revistas Time, Fortune e Foreign Policy uma das pessoas mais influentes do mundo, encarna, aos olhos da opinião pública internacional, a resistência a Pequim na ex-colônia britânica.

O ministro das Relações Exteriores britânico, Dominic Raab, pediu no Twitter "que as autoridades de Hong Kong e Pequim encerrem sua campanha para reprimir a oposição".

A ONG Anistia Internacional (AI) criticou essas sentenças, argumentando que elas criminalizam as opiniões políticas.

Protestos gigantes 

Em 2019, Hong Kong foi palco por sete meses consecutivos de enormes e, muitas vezes, violentos protestos para denunciar a crescente influência do governo chinês neste território que tem semiautonomia desde que foi devolvido à soberania da China em 1997.

Apesar dessa mobilização, o Executivo pró-Pequim de Hong Kong não fez qualquer concessão aos manifestantes.

Pelo contrário, uma lei de segurança nacional foi imposta por Pequim em junho, e os processos contra muitos ativistas pró-democracia puseram fim ao movimento de protesto.

O governo pró-Pequim de Hong Kong reagiu enfatizando que os três ativistas se confessaram culpados e, embora a ex-colônia britânica respeite a liberdade de expressão, "ela não é absoluta".

Apesar de muito jovens, Wong, Lam e Chow são veteranos na luta política.

Quando adolescentes, os três aderiram ao movimento pró-democracia. O trio participou da batalha - vencida - em 2012 contra a introdução de aulas de patriotismo chinês.

Dois anos depois, desempenharam um papel importante na chamada Revolução do Guarda-chuva, que exigia um verdadeiro sufrágio universal em Hong Kong. Desta vez, Pequim não fez concessões.

Os manifestantes ocuparam o centro da cidade por 79 dias, resultando na prisão de alguns ativistas.

Em junho de 2019, um novo movimento de protesto surgiu contra um projeto altamente criticado que autorizava extradições para a China continental.

Sem uma liderança clara, foi marcado por sete meses de manifestações quase diárias, pontuadas por confrontos violentos entre policiais e manifestantes.

Wong e Chow participaram de algumas manifestações, mas usaram sua notoriedade, principalmente, para pressionar por sanções internacionais contra Pequim, provocando a revolta do governo chinês. A mídia chinesa não hesitou em chamá-los de traidores.

Mais de 10 mil pessoas foram presas nos últimos 18 meses em Hong Kong, incluindo a maioria dos principais ativistas e figuras da oposição./AFP, Reuters

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