AP Photo/Natacha Pisarenko
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Jovem é preso após lançar bomba na casa de juiz que investiga Cristina Kirchner

Artefato foi atirado na residência de Claudio Bonadio, um dos magistrados mais midiáticos da Argentina; autoridades atribuem motivação do ato a grupos anarquistas e proximidade da reunião de cúpula do G-20

O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2018 | 01h35

BUENOS AIRES - A polícia da Argentina prendeu nesta quarta-feira, 14, um jovem de 26 anos por lançar uma bomba no domicílio em Buenos Aires do juiz federal Claudio Bonadio, encarregado por seis processos contra a ex-presidente Cristina Kirchner por casos de corrupção.

De acordo com o secretário da Segurança de Buenos Aires, Marcelo D’Alessandro, o caso tem conexão com a proximidade do encontro da cúpula do G-20, que será realizado na cidade no fim deste mês.

"Nada é casualidade ou coincidência, estamos às vésperas de um dos eventos internacionais mais importantes que é a cúpula do G20, temos exemplos do que aconteceu em outras cidades e estamos trabalhando para fornecer a segurança necessária, mas sem dúvida tem uma conexão com relação a isso ", disse D’Alessandro.

De acordo com o secretário, a bomba era "bastante sofisticada" e o agressor, que foi perseguido e detido pela polícia, pertence a um grupo anarquista.

"O departamento de explosivos determina não apenas que era uma bomba, mas apesar de caseiro, era bastante sofisticado, para o qual foram feitas três detonações", acrescentou D'Alessandro.

Segundo a polícia de Buenos Aires, o jovem lançou o artefato no pátio dianteiro do imóvel do magistrado, através da grade da residência.

Cadernos da corrupção

Bonadio é um dos magistrados mais midiáticos da Argentina, por ser o encarregado de investigar Cristina Kirchner em várias causas, O magistrado pediu a prisão da ex-presidente em duas ocasiões, mas as detenções não foram efetuadas.

O processo mais importante foi apelidado pela imprensa como “cadernos da corrupção”. A investigação envolve um suposto esquema de pagamento de propina por empresários para obter contratos de obras públicas durante os governos de Cristina e de seu falecido marido, Néstor Kirchner (2003-2007).

Motivação anarquista

O secretário de Segurança indicou que o jovem que jogou a bomba na casa de Bonadio tem a mesma motivação política que duas pessoas presas poucos minutos antes no cemitério da Recoleta, quando colocaram cinco artefatos explosivos, um dos quais detonou em frente a um túmulo.

O jazigo atacado foi o do ex-chefe de polícia Ramón Falcón, nascido em 1855, lembrado por ter ordenado uma feroz repressão a uma manifestação anarquista em maio de 1909 em Buenos Aires, que deixou uma dúzia de mortos, e pela perseguição e detenção de militantes, num episódio conhecido como "A Semana Vermelha".  Falcón foi assassinado em 14 de novembro de 1909 por Simón Radowitzky, um militante anarquista que buscou vingança por essa repressão. Radowitzky foi condenado à prisão perpétua e perdoado após 21 anos de prisão.\ AP e EFE

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