Jovem israelense é acusada de espionagem

JERUSALÉM

NYT, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

Autoridades de Israel levantaram em parte a censura de um caso extremamente delicado envolvendo uma jovem israelense acusada de espionagem. A suspeita, Anat Kam, de 23 anos, teria roubado mais de 2 mil documentos militares enquanto prestava o serviço militar obrigatório, entre 2005 a 2007, e entregado os papéis a um repórter.

Ela "agiu por motivos ideológicos e com a intenção de atentar contra a segurança do Estado", afirmaram os promotores. Anat será julgada este mês e, se considerada culpada, poderá ser condenada a 14 anos de prisão.

O advogado que a representa, Eitan Lehman, disse que "em nenhum momento foram causados danos à segurança" de Israel. O caso, acrescentou, "prejudica a democracia" e toma como alvo "o jornalismo israelense".

Segundo os promotores, cerca de 700 dos documentos eram classificados como "sigilosos" ou "altamente sigilosos". Anat é acusada de ter copiado os documentos e de entregá-los a Uri Blau, repórter do jornal Haaretz, que os usou como fonte para uma série de artigos que começaram a ser publicados em novembro de 2008.

Em um dos artigos, Blau usou os documentos para mostrar que militares haviam identificado três militantes palestinos da jihad islâmica como futuros alvos de assassinato, violando uma determinação da Suprema Corte de Israel que estabelece diretrizes rigorosas para estes ataques. O editor-chefe do Haaretz, Dov Alfon, afirmou que os artigos foram enviados para a censura e receberam plena permissão para a publicação.

Uma ordem abrangente, emitida por um tribunal, havia impedido a divulgação do caso em Israel, embora muitos detalhes já tivessem vazado amplamente no exterior. /

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.