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Jovem massacra 15 e choca alemães

Rapaz mata 12 em escola e 1 na fuga, viaja 40 km com refém e abate outras 2 pessoas em loja antes de se suicidar

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

12 de março de 2009 | 00h00

Um adolescente de 17 anos cometeu ontem um dos crimes mais bárbaros da história contemporânea da Alemanha, ao matar 15 pessoas antes de se suicidar. A chacina começou nas dependências da Albertville Realschule, um colégio situado em Winnenden, a 20 quilômetros de Stuttgart. De acordo com a polícia, Tim Kretschmer, ex-aluno do colégio, totalmente vestido de preto, invadiu o prédio com uma pistola Beretta 9 milímetros. Veja cronologia dos principais ataques contra escolas no mundoLá, executou nove estudantes, além de três professoras. Na fuga, matou um pedestre, sequestrou um motorista e ainda matou outras duas pessoas antes de cometer suicídio, a 40 quilômetros do ataque inicial. O massacre, o segundo do gênero na Alemanha em sete anos, lembra o ocorrido na escola Columbine, no Estado americano do Colorado, há uma década.De acordo com a polícia, Kretschmer invadiu o prédio da escola pouco antes das 9h30. Com a arma em punho, ele teria subido as escadas até o primeiro andar, onde se situam as salas de aula, para então abrir fogo. Demonstrando perícia, suas primeiras vítimas foram mortas com tiros na cabeça. As oito alunas e um aluno assassinados tinham entre 14 e 16 anos. Algumas de suas vítimas, segundo testemunhas, foram encontradas mortas com a cabeça sobre a carteira e a caneta ainda nas mãos, numa indicação de que foram baleadas na nuca.O banho de sangue continuaria com a fuga do jovem pelas ruas de Winnenden, onde um funcionário de uma clínica psiquiátrica também acabou morto. Kretschmer, então, obrigou um motorista a levá-lo de carro a uma cidade vizinha. Enquanto Kretschmer trocava tiros com a polícia, o motorista conseguiu abandonar o carro. A perseguição - que envolveu 700 policiais e 4 helicópteros - prosseguiu com o assassino ao volante.Cercado, o jovem invadiu uma loja de automóveis, matando um vendedor e um cliente. Ferido, segundo a polícia, ele teria cometido suicídio. As circunstâncias da morte de Kretschmer, contudo, ainda não foram totalmente esclarecidas.De acordo com Fabienne Boehm, de 12 anos, amiga de Kretschmer, o atirador escreveu três semanas atrás uma carta aos pais dele na qual dizia estar "sofrendo muito" - mas a testemunha não soube explicar a que sofrimento ele se referia. Ainda de acordo com ela, Kretschmer afirmou que era alvo de piadas e assediado pelos colegas - uma prática conhecida como bullying - e ignorado pelos professores. Outras testemunhas afirmaram que Kretschmer era fanático pelo videogame Counter-Strike, que se baseia em matar pessoas para completar as missões Enquanto a perseguição ocorria, equipes médicas tentavam organizar o atendimento às vítimas em meio ao caos de alunos e parentes que correram para a escola. Levados para a piscina do colégio, muitos estudantes estavam em estado de choque, conforme os primeiros testemunhos."Todos conhecem alguém envolvido, mas ninguém consegue saber direito o que pode ter causado isso tudo", disse ao Estado o jovem de origem turca Tabor Ataturk. Outra estudante, Janina Schmidt, de 18 anos, disse à emissora SWR TV que escutou "cinco ou seis tiros" e, pouco tempo depois, já ouviu a chegada das primeiras ambulâncias e carros da polícia. "Eu me sinto como se estivesse em um filme. Você vê esse tipo de acontecimento no cinema ou na TV e, de repente, algo parecido está acontecendo na sua vida. Eu simplesmente não sei como reagir", disse a jovem.PERPLEXIDADEO balanço da tragédia mostrou o quanto as autoridades estavam atordoadas com a violência perpetrada por Kretschmer. Um décimo aluno, gravemente ferido, chegou a ser considerado morto pela polícia, mas a informação foi desmentida ao longo do dia. O número de feridos também não foi revelado com exatidão pelas autoridades.À tarde, os investigadores confirmaram que a pistola usada nos homicídios pertencia à coleção do pai do assassino, membro de um clube de tiro e proprietário de um arsenal de 18 armas, todas legais. Na busca realizada na casa da família, uma das pistolas havia desaparecido. A violência do ataque choca a Alemanha e causa, sobretudo, incompreensão. Kretschmer, membro de uma família de classe média, era até 2008 aluno da escola. Neste ano, frequentava uma instituição de ensino profissionalizante em Winnenden, cidade de 27 mil habitantes. Ele não apresentava nenhum tipo de antecedente criminal ou psiquiátrico.

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