Jovem negro morto nos EUA usou maconha

Autópsia encontra THC no sangue de Trayvon Martin e revela que tiro dado por vigia branco foi disparado à queima-roupa

SANFORD, EUA, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2012 | 03h07

Perícia feita pela polícia apontou que Trayvon Martin, jovem negro assassinado na Flórida por um vigilante branco, fumou maconha antes de ser baleado. Ele foi morto por George Zimmerman, na noite do dia 26 de fevereiro, em Sanford, perto de Orlando.

Além de ter detectado a presença de THC, substância ativa da maconha, no sangue e na urina de Trayvon, o relatório também revelou que o tiro que matou o adolescente de 17 anos foi disparado à queima-roupa, a uma distância entre 2,5 cm e 45 cm do peito.

O relatório policial de 200 páginas inclui provas balísticas e gravações de telefones celulares da vítima e de policiais que receberam os telefonemas na noite do crime. O assassinato ocorreu após uma briga entre os dois. Trayvon visitava o pai em Sanford e caminhava desarmado. Ele supostamente teria atacado Zimmerman, que patrulhava o bairro. O vigia argumenta que atirou porque se sentiu ameaçado e agredido pelo jovem durante uma discussão.

Na Flórida, a lei permite a qualquer pessoa que se sinta ameaçada de morte atirar em "legítima defesa". Por isso, Zimmerman não foi detido imediatamente após matar Trayvon. A repercussão, no entanto, foi tão grande que o presidente Barack Obama exigiu uma profunda investigação do caso e pediu às autoridades da Flórida revisassem a legislação local.

Crime. A família de Trayvon e vários líderes de movimentos de defesa dos direitos civis nos Estados Unidos afirmaram que o preconceito racial motivou o crime e influenciou a atuação da polícia da Flórida.

Zimmerman recebeu ameaças de morte e ficou desaparecido por semanas, antes de ser detido. O vigia foi preso, mas pagou uma fiança de US$ 150 mil, foi liberado e responde acusação de homicídio em segundo grau.

Segundo o relatório policial divulgado pela Promotoria da Flórida, a briga entre Trayvon e Zimmerman "poderia ter sido evitada se Zimmerman tivesse ficado em seu veículo à espera da chegada da polícia".

O relatório médico de Zimmerman, divulgado na quinta-feira, corrobora, segundo os advogados de defesa, a tese de que ele foi agredido por Trayvon. O vigia teria apresentado uma fratura no nariz, hematomas nos olhos e ferimentos na cabeça.

Racismo. Várias pessoas, no entanto, testemunharam que Zimmerman é um racista. Um companheiro de trabalho acusou o vigia de provocá-lo constantemente em razão de sua origem árabe. Em um telefonema anônimo para a polícia, uma jovem o descreve como sendo um sujeito perigoso. "Ele é um encrenqueiro e não gosta de negro", disse. / REUTERS e AP

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