Max Whittaker/The New York Times
Max Whittaker/The New York Times

Jovem negro morto por policiais nos EUA levou 8 tiros nas costas

Autópsia independente de Stephon Klark contradiz versão da polícia de Los Angeles

O Estado de S.Paulo

30 Março 2018 | 22h58

LOS ANGELES - Stephon Clark, um jovem negro morto por policiais na Califórnia em 18 de março, levou oito tiros, todos nas costas e de lado - informaram os advogados da família nesta sexta-feira (30), com base nos resultados de uma necropsia independente.

O estudo foi conduzido pelo patologista Bennet Omalu, segundo o qual a vítima não teve nenhuma perfuração frontal e levou "entre 3 e 10 minutos" para morrer.

"Durante toda a interação, estava de costas para os policiais, não de frente", disse em entrevista coletiva em Sacramento.

"Pode-se concluir, razoavelmente, que recebeu sete disparos (somente) nas costas", acrescentou.

Clark foi velado na quinta-feira, quase duas semanas depois de sua morte, quando a Polícia respondeu a uma chamada de emergência sobre um homem que havia quebrado janelas de carros em um bairro na capital da Califórnia.

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Os oficiais consideraram-no o principal suspeito e o perseguiram. Tudo foi gravado em vídeo de um helicóptero e através de câmeras nos uniformes dos agentes.

O vídeo mostra o jovem correndo e buscando abrigo nos fundos da casa de seus avós, onde morava.

Os policiais dizem "mostre suas mãos!" e imediatamente gritam "Arma, arma, arma!". Nesse momento, disparam 20 vezes. Ao revistar o corpo, os agentes encontraram apenas um celular iPhone.

"A proposta de que estava de frente para os oficiais é inconsistente com a evidência forense", indicou o especialista.

A morte do jovem negro pela polícia deflagrou uma onda de protestos em Sacramento.

Clark "morreu em mais um assassinato sem sentido da polícia sob circunstâncias questionáveis", indicou o conhecido advogado de direitos civis Benjamin Crump, que representa a família da vítima.

Depois das revelações da necropsia, o movimento "Black Lives Matter" anunciou outro protesto diante da prefeitura de Sacramento.

Depois do enterro, dezenas de pessoas se reuniram em frente ao gabinete da procuradora Anne Marie Schubert, que tem de decidir se processa ou não os policiais responsáveis pela morte. Eles estão suspensos. Um dos agentes é negro.

Uma investigação independente a cargo do procurador-geral do Estado, Xavier Becerra, foi aberta.

Nos cartazes dos manifestantes do movimento "Black Lives Matter", podia-se ler frases como "Sem justiça, não há paz", ou "Condenar policiais assassinos".

Pelo menos outras 16 pessoas - 3 delas desarmadas - morreram em confrontos com as forças da ordem em Sacramento nos últimos dois anos, segundo o jornal "The Sacramento Bee", que não especificou suas raças. / AFP

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