Jovem palestino é morto após funeral de crianças

Tropas israelenses mataram a tiros um adolescente palestino, enquanto tentavam dispersar uma multidão que jogava pedras. Ao mesmo tempo, aumentam as pressões em Israel para que o Exército divulgue, com urgência, as conclusões de uma investigação sobre a morte de cinco garotos palestinos numa explosão na quinta-feira. O chefe da polícia palestina em Gaza, general de brigada Abdel Razek Majaida, disse que os meninos foram aparentemente mortos por uma bomba plantada por forças israelenses, que operaram na área na noite anterior à explosão."Estilhaços coletados na área mostram que a explosão foi provocada por um artefato explosivo", afirmou. "Continuamos com nossa investigação, mas parece que o artefato foi colocado dentro de um objeto e, quando as crianças o chutaram, ele explodiu".O Ministério da Defesa de Israel informou que estava investigando a explosão e lamentou a morte das crianças. Autoridades israelenses recusaram-se a fazer maiores comentários alegando estarem esperando as conclusões da investigação, mas dois jornais de Israel, citando oficiais do Exército, escreveram que tropas israelenses tentando eliminar franco-atiradores palestinos recentemente promoveram uma operação na área da explosão.As cinco vítimas, de sete a 14 anos e todos membros de uma mesma família, foram enterradas hoje. Os corpos, envoltos em bandeiras palestinas e presos a macas, foram levados lado a lado numa procissão acompanhada por milhares de pessoas. Atiradores dispararam para o ar. Estudantes levavam retratos de seus colegas de classe mortos. Homens mascarados pichavam slogans nas paredes de uma mesquita, jurando vingança contra Israel.Idress Al-Astal, pai de duas das crianças mortas, disse que nenhuma investigação irá trazer seus filhos de volta. "Deus irá me vingar", afirmou, derramando-se em lágrimas.Depois do enterro, cerca de 200 palestinos seguiram até o assentamento judeu próximo de Neve Dekalim, e passaram a jogar pedras contra a cerca. Soldados israelenses responderam com granadas de efeito moral e tiros de munição real, matando um jovem de 15 anos, disseram médicos. O Exército de Israel afirmou que seus soldados fizeram apenas disparos de alerta para o ar, e que eles não viram ninguém sendo alvejado.Palestinos fizeram um disparo de morteiro contra Neve Dekalim, danificando uma casa, mas não provocando feridos.Nas proximidades de Nablus, na Cisjordânia, dois palestinos morreram hoje quando explodiu prematuramente uma bomba que manejavam, disseram oficiais de segurança palestinos. Os primos, membros do movimento Fatah, do líder palestino Yasser Arafat, estariam tentando plantar a bomba numa rodovia usada por motoristas israelenses.Em relação à explosão de quinta-feira em Khan Younis, o ministro dos Transportes israelense, Ephraim Sneh, um ex-general e membro do gabinete de segurança, pediu uma completa investigação. "Alguém tem de ser punido se agiu impropriamente, ou agiu com negligência", afirmou Sneh à Rádio de Israel, mas acrescentou que a tragédia ocorreu num cenário em que "existe um terrorismo e uma guerra de guerrilha sendo travada contra Israel".O líder oposicionista Yossi Sarid pediu ao Exército para apresentar todos os fatos envolvendo o caso a partir do início da próxima semana, e para corrigir o rumo das ações caso seja descoberto que houve uma conduta imprópria. "Alguém da alta hierarquia do Exército terá de pagar com sua cabeça", disse Sarid à televisão israelense. "A morte de crianças, seja do nosso lado ou do deles, não pode passar impune".O ministro do gabinete Dan Meridor adotou uma posição semelhante."Se realmente cometemos um erro, espero que digamos a verdade sobre isso", afirmou. "A verdade é melhor do que qualquer desculpa". O ministro da Informação palestino, Yasser Abed Rabbo, acusou Israel de "assassinar nossas crianças". Ele pediu aos Estados Unidos e à Europa para pressionarem Israel a retirar suas tropas de centros populacionais palestinos.A tragédia fez aumentar a tensão antes da chegada de duas altas autoridades americanas, marcando o início de um esforço dos EUA para acalmar a situação no Oriente Médio, a fim de não prejudicar sua campanha no Afeganistão.O subsecretário de Estado William Burns e o general da reserva Anthony Zinni irão pressionar os dois lados para que implementem acordos já aceitos - uma trégua negociada em maio último pelo diretor da CIA George Tenet, e o relatório de abril de uma comissão internacional liderada pelo ex-senador americano George Mitchell, contendo uma fórmula para o reinício das conversações de paz.Os dois devem chegar à região no começo da semana que vem. Zinni, nomeado assessor especial do secretário de Estado Colin Powell, deve permanecer na região para orientar as negociações.

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