Joerg Carstensen/Efe
Joerg Carstensen/Efe

Jovem pediu ajuda à mãe pelo celular durante ataque na Noruega

Julie Bremnes, que sobreviveu ao atentado na ilha de Utoya, pediu por mensagens para mãe apressar a polícia

BBC Brasil, BBC

26 de julho de 2011 | 12h54

OSLO - A troca de mensagens pelo celular entre uma adolescente norueguesa e sua mãe mostra os momentos de tensão durante o ataque de Anders Behring Breivik na ilha de Utoya, na última sexta-feira. Julie Bremnes, de 16 anos, ligou para sua mãe, Marianne, às 17h10 na hora local (12h10 na hora de Brasília), para dizê-la que "um homem louco estava atirando" na ilha.

 

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Ela pediu que sua mãe chamasse a polícia. A mãe pediu à filha que enviasse mensagens de texto periodicamente, para que ela soubesse que a menina ainda estava viva. Julia escapou ilesa do ataque após se esconder na praia, atrás de rochas. O jornal norueguês VG publicou as mensagens de texto trocadas entre mãe e filha, que seguem abaixo.

 

17h42 - Julie: Mãe, diga à polícia que eles precisam ser rápidos. As pessoas estão morrendo aqui! Marianne: Eu estou tentando, Julie. A polícia está a caminho. Você consegue me ligar? Julie: Não. Julie: Diga à polícia que tem um homem louco correndo e atirando nas pessoas. Julie: Eles precisam vir logo! Marianne: A polícia sabe e eles já receberam muitas ligações. Está tudo indo bem, Julie. A polícia está nos ligando agora. Dê-nos um sinal de vida a cada cinco minutos, por favor? Julie: Ok. Julie: Estamos temendo pelas nossas vidas. Marianne: Eu sei muito bem disso, querida. Fique escondida, não se mova para lugar algum! A polícia já está a caminho, se já não tiverem chegado! Você está vendo alguém ferido ou morto? Julie: Estamos nos escondendo nas pedras ao longo da praia. Marianne: Ótimo! Devo pedir a seu avô que vá até aí e pegue você quando tudo estiver seguro outra vez? A escolha é sua. Julie: Sim. Marianne: Vamos entrar em contato com seu avô imediatamente. Julie: Eu te amo, mesmo que me comporte mal de vez em quando. Julie: E eu não estou entrando em pânico, mesmo que esteja morta de medo. Marianne: Eu sei, minha querida. E nós também amamos muito você. Você ainda consegue ouvir tiros? Julie: Não.

18h15 - Marianne: Você ouviu alguma coisa das outras pessoas? Seu avô está indo até aí. Julie: A polícia está aqui. Marianne: Dizem que a pessoa que está atirando está vestida com um uniforme de polícia. Tenha cuidado! O que vai acontecer com vocês agora?

 

18h30 - Julie: Nós não sabemos. Marianne: Você pode falar agora? Julie: Não. Ele ainda está atirando! Marianne: Joergen nadou para a praia. Eu acabo de falar com o pai dele. A notícia já está em todos os lugares, todas as atenções estão voltadas para Utoeya agora. Tenha cuidado! Quando tiver a chance, vá para a terra firme e fique com o avô de Hamar. Julie: Ainda estou viva. Marianne: Graças a Deus por isso. Julie: Estamos esperando ser resgatados pela polícia. Acabamos de ouvir tiros, então não nos aventuramos a ficar de pé. Marianne: Bom! Isso mesmo. A evacuação já está acontecendo, estão dizendo isso na TV. Julie: Esperamos ser resgatados por alguém logo. Eles não conseguem pegá-lo logo? Marianne: A unidade antiterrorismo está aí e eles estão tentando pegá-lo. Julie: Ok. Marianne: Será que devemos pegar o voo de volta para casa amanhã? Julie: Não tenho tempo para pensar nisso agora. Marianne: Entendo. Julie: Você sabe se eles conseguiram pegá-lo? Marianne: Nós vamos mantê-la informada, minha querida. Estamos acompanhando tudo pela televisão. Marianne: Ei, você está aí? Julie: Sim. Os helicópteros estão voando em círculos sobre nós. Marianne: Então vocês devem ficar bem? Julie: Eles estão procurando por pessoas na água, nós ainda não fomos resgatados!

19h01 - Julie: O que estão dizendo nos noticiários? Marianne: A polícia também está chegando em Utoeya de barco. Fora isso, nada de novo. Não está claro o que aconteceu com o atirador, então fique quieta. Espere que alguém vá te buscar. Marianne: Agora pegaram ele!

 

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