Jovem 'pirata' somali será julgado como adulto nos EUA

Mãe do suspeito afirma que ele tem 16 anos, mas autoridades americanas acreditam que ele tem ao menos 18.

BBC Brasil, BBC

22 de abril de 2009 | 00h21

Um juiz federal de Nova York decidiu, nesta terça-feira, que um suposto pirata somali capturado por forças dos Estados Unidos durante o resgate do capitão de um cargueiro norte-americano, há pouco mais de uma semana, poderá ser julgado como adulto.

Antes da decisão, houve um debate sobre a idade do suspeito, identificado como Abde Wale Abdul Kadhir Muse. A mãe dele afirma que ele tem 16 anos de idade, mas as autoridades dos EUA acreditam que ele tenha pelo menos 18 anos.

Segundo a imprensa americana, o jovem será a primeira pessoa julgada por pirataria nos Estados Unidos em mais de um século.

Muse é acusado de pertencer ao grupo de piratas somalis que atacou o cargueiro americano Maersk Alabama, no último dia 8 de abril, levando o capitão Richard Phillips como refém em um bote salva-vidas.

O cativeiro terminou depois que atiradores da Marinha americana mataram três dos piratas, enquanto Muse estava a bordo de um destróier dos EUA supostamente pedindo um resgate.

O suspeito capturado desembarcou nos Estados Unidos na segunda-feira, sob um forte esquema de segurança.

Pedido

Também na segunda-feira, a mãe do suposto pirata pediu por sua libertação e afirmou que ele é menor de idade.

Ela afirma que seu filho estava desaparecido nas duas semanas anteriores ao sequestro e que só percebeu que ele poderia estar envolvido após ouvir seu nome no rádio.

Em uma entrevista ao serviço somali da BBC, ela pediu que o presidente dos EUA, Barack Obama, ajude na libertação do jovem.

"Estou pedindo ao governo norte-americano e ao presidente Obama para libertarem meu filho. Ele não tem nenhuma relação com o crime dos piratas", afirmou.

"Ele é menor de idade, foi usado por eles para este crime. Eu também peço aos EUA que, se decidirem julgá-lo, que eu possa comparecer à corte".

Fragilidade

No último domingo, o frágil governo da Somália afirmou que piratas capturados no país podem receber a pena de morte.

O país africano, no entanto, não possui um governo efetivo desde 1991, o que criou o cenário que permitiu a proliferação da pirataria.

No ano passado, companhias de cargueiros marítimos pagaram mais de US$ 80 milhões em resgates aos grupos de piratas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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