Militant video via AP
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Jovem que atacou passageiros de trem alemão se registrou com nomes diferentes, diz Afeganistão

Porta-voz da chancelaria afegã diz que 'não existem documentos e nem provas' que confirmem identidade do rapaz de 17 anos, autor do ataque em Würzburg, para respaldar a afirmação de que ele era afegão; governo alemão admite dúvida sobre nacionalidade

O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2016 | 13h11

CABUL - O governo do Afeganistão afirmou nesta quarta-feira, 20, que o autor do ataque na segunda-feira em um trem da Alemanha tinha se registrado no país europeu com dois nomes diferentes e defendeu que não existem "provas" que confirmem que o jovem era afegão.

"Agora ficou provado que ele tinha se registrado na Alemanha com dois nomes diferentes, primeiro como Riyad Aboot, que absolutamente não é um nome afegão, e segundo como Muhamed Riyad", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores afegão Ahmad Shakaib Mustaghni.

O porta-voz disse que as alegações de que o agressor, de 17 anos e suposto filiado ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI), era afegão são "completamente questionáveis", de acordo com a informação recompilada pela embaixada afegã em Berlim "com a ajuda das autoridades alemãs".

O autor do ataque, que foi morto pela polícia após ferir cinco pessoas com um machado e uma faca, entrou na Alemanha por Passau, na Baviera, em 30 de junho de 2015 e se registrou como refugiado afegão, embora não tivesse passaporte. "Não existem documentos e nem provas para respaldar a afirmação de que o agressor era afegão", concluiu Mustaghni. 

Também nesta quarta, o ministro alemão de Interior, Thomas de Maizière, afirmou que o ataque foi um "atentado cometido por uma só pessoa que se sentiu incitada ou inspirada pela propaganda do (grupo terrorista) Estado Islâmico (EI)".

Em sua primeira declaração após o ataque, o ministro afirmou que o vídeo no qual o menor, registrado como solicitante de asilo afegão embora sua nacionalidade seja questionada, se apresenta como um "soldado do califado" é, segundo os especialistas, "o clássico vídeo de despedida de um terrorista suicida".

O jovem, de 17 anos, se reconhece como membro do EI, mas não há indícios no vídeo de que atuasse sob suas ordens e também não se sabe ainda se foi gravado antes ou depois do atentado de Nice, ocorrido na semana passada.

De Maizière, que denunciou que há famílias que enviam seus filhos mais novos para depois se beneficiarem do reagrupamento familiar, reconheceu a existência de "indícios" que apontam que entre os refugiados que chegam ao país pode haver terroristas, mas afirmou que na maioria dos casos foi comprovado que eram pistas falsas.

"Não se pode dizer que não haja qualquer relação entre refugiados e terrorismo, mas a ameaça era antes elevada e é alta, independentemente da questão dos refugiados", manifestou.

De Maizière expressou seu agradecimento, tanto aos voluntários como às famílias de amparo que participam da integração destas pessoas, especialmente os menores que chegam desacompanhados, como o caso desse jovem, e lhes encorajou a "não deixarem se intimidar" pelo ocorrido e seguir participando dessas tarefas. / EFE e REUTERS

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