AFP PHOTO / CHRISTOPHE SIMON
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Jovem que perdeu passaporte foi suspeito por algumas horas de participar dos ataques

O passaporte de Walid Abdelrazaq foi encontrado perto do Stade de France, onde ficou ferido em um dos atentados promovidos por jihadistas

O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2015 | 09h19

CAIRO - O jovem egípcio Walid Abdelrazaq, de 27 anos e que estava em Paris na sexta-feira, tornou-se por algumas horas um dos suspeitos dos ataques terroristas na capital francesa, porque seu passaporte egípcio foi encontrado perto do Stade de France, onde ficou ferido em um dos atentados jihadistas.

"Meu filho foi (ao estádio) para ver a partida (amistoso de futebol entre França e Alemanha). Por que passou por isso?", questionou Nadia Karam, de 60 anos, mãe de Walid.

Aos prantos, Nadia contou que "o islã é a religião da paz e do bem" e que seu filho está internado e foi operado três vezes em razão dos ferimentos sofridos no atentado na cidade de Saint-Denis, onde terroristas detonaram coletes com explosivos do lado de fora do estádio.

Na noite de sexta-feira, pelo menos sete integrantes do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) atacaram sete pontos da capital francesa, deixando 129 mortos e 352 feridos.

Horas depois do massacre, foram encontrados os passaportes de um cidadão sírio e outro egípcio, que podiam pertencer aos criminosos.

No domingo, o embaixador do Egito em Paris, Ihab Badawi, desmentiu as informações à rede de televisão egípcia CBC e ressaltou que "não há nenhuma acusação contra Abdelrazaq".

Segundo a mãe de Walid, o jovem chegou à França no dia 6 de novembro para acompanhar seu irmão Wael, que sofre de leucemia e recebe tratamento em um hospital parisiense. Na sexta, ele decidiu ir ao amistoso entre França e Alemanha, mas chegou atrasado e se surpreendeu com uma explosão.

Após saber do ocorrido, sua família saiu para procurá-lo e ficou várias horas sem ter notícias dele. Por fim, as forças de segurança francesas indicaram seu paradeiro. Ele foi encontrado em um hospital em Paris "em estado muito crítico".

Mas isso só aconteceu depois que a imprensa francesa informou que havia encontrado os passaportes de um cidadão sírio e de outro egípcio no local do massacre, o que transformou Walid em suspeito por algumas horas.

"Não sei por que disseram isso do meu filho, quando ele está na unidade de terapia intensiva entre a vida e a morte", acrescentou Nadia, com voz embargada. Entre longas pausas, ela explicou que seu filho foi submetido a três cirurgias por ter sido atingido por estilhaços como consequência da explosão.

"Espero que meu filho possa se recuperar rápido. Não visitamos a França para fazer turismo, foi só para o tratamento do meu outro filho", disse a mãe de Walid, que também mostrou seu desejo de que os muçulmanos não sofram discriminação pelo ocorrido em Paris. /EFE

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