AP Photo/Emilio Morenatti
AP Photo/Emilio Morenatti

Jovem que sofreu abuso sexual coletivo na Espanha pede que outras vítimas denunciem

Vítima se pronunciou publicamente pela primeira vez; caso causou diversos protestos no país em razão da condenação dos cinco acusados por abuso e não estupro

O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2018 | 17h19

MADRI - A jovem que sofreu abuso sexual pelo grupo de cinco homens conhecido como "La Manada" pediu nesta quarta-feira, 27, que as vítimas de abusos sexuais não se calem. Ela se manifestou publicamente pela primeira vez e escreveu uma carta sobre o assunto. "Conte a um amigo, parente, polícia, em um tuíte, façam como queiram, mas contem. Não fiquem calados, porque se fizerem isso, estarão deixando que eles ganhem", escreveu a jovem, cujo caso provocou grandes protestos pela Espanha nos últimos meses.

A carta foi lida pela apresentadora de TV Ana Rosa Quintana, do canal Telecinco. "Não podemos fazer piada com um estupro. É  indecente e está em nossas mãos mudar isso. Por favor, peço apenas que por mais que pensem que não vão acreditar em vocês, denunciem", ressaltou. "Vocês vão pensar que não têm forças para lutar, mas se surpreenderiam se soubessem a força que nós, seres humanos, temos", continuou.

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Em abril, um tribunal em Pamplona causou revolta ao descartar o crime de estupro e condenar o grupo apenas por abuso sexual. Os réus abusaram de forma sucessiva da vítima, então com 18 anos, na porta de um edifício durante o festival de São Firmino, em julho de 2016.

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Os cinco acusados, que se denominaram "La Manada", gravaram o crime e compartilharam o vídeo. Eles foram condenados a nove anos de prisão em primeira instância, mas libertados sob fiança na sexta-feira 22, para aguardar o resultado de suas apelações. 

A libertação dos cinco causou novos protestos em diferentes cidades espanholas. A promotoria também recorreu da sentença, que considerou excessivamente branda.

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O caso criou um movimento de mulheres que compartilharam seus casos de abuso pelas redes sociais com a hashtag #cuéntalo (conte, em tradução livre). "Pessoalmente, se meu caso despertou a consciência de uma pessoa ou deu a alguém a força para lutar, estou satisfeita", disse a vítima. / AFP

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