AFP PHOTO/TWITTER/Courtesy of Rahaf Mohammed al-Qunun
AFP PHOTO/TWITTER/Courtesy of Rahaf Mohammed al-Qunun

Jovem saudita que fugiu da família irá da Tailândia para o Canadá

Fuga de Rahaf Mohamed al-Qunun do reino ultraconservador, mobilizou as organizações de defesa dos direitos humanos; autoridades tailandesas ameaçaram enviá-la de volta ao seu país

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2019 | 14h49

A jovem saudita de 18 anos que fugiu da família viajará para o Canadá ainda nesta sexta-feira, 11, depois de ter pedido asilo na Tailândia. Rahaf Mohamed al-Qunun foi detida na Tailândia depois de ter fugido de sua família encerrou repentinamente a sua conta no Twitter, que havia usado para comover o mundo inteiro, depois de receber "ameaças" de morte, segundo explicam seus amigos.

Mais cedo, antes de a conta ter sido desativada, ela escreveu: "tenho boas e más notícias".A fuga  da jovem do reino ultraconservador, mobilizou as organizações de defesa dos direitos humanos e, em princípio, as autoridades tailandesas ameaçaram enviá-la de volta ao seu país.

Detida no final de semana passado em sua chegada a Bangcoc saída do Kuwait, a jovem, equipada com seu celular e uma conta no Twitter aberta apressadamente, se trancou em um quarto de hotel do aeroporto e forçou às autoridades tailandesas a mudar de ideia.

A polícia imigratória tailandesa a colocou sob proteção de representantes da Agência da ONU par aos Refugiados (Acnur).

A jovem declarou querer pedir asilo na Austrália, assegurando que fugia da violência física e psicológica de sua família, que desmentiu as acusações. 

Al-Qunun também afirmou à ONG Human Rights Watch (HRW) que desejava renunciar ao Islã, o que a coloca "em grave perigo", apontou a organização.

"Creio que tenha recebido ameaças de morte, mas não sei os detalhes", declarou Phil Robertson, representante da HRW.

A campanha midiática da saudita fez com que seu caso fosse analisado de maneira urgente, mas, embora as autoridades australianas tenham anunciado que estudavam seu pedido de asilo, ainda não se sabe qual país aceitará acolhê-la.

A Tailândia não é signatária de uma convenção da ONU sobre os refugiados, e os solicitantes de asilo costumam ser expulsos ou esperam anos antes de serem enviados a um terceiro país./AFP

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