Jovens antiglobalização devem ser escutados, diz Vaticano

O Vaticano pediu aos líderes mundiais que se reunirão na cúpula do G-8 em Gênova, entre 20 e 22 de julho, que escutem as manifestações dos jovens antiglobalização e seus pedidos em favor dos necessitados e dos direitos dos países mais pobres.A afirmação foi feita pelo presidente do pontifício conselho para os laicos, o cardeal norte-americano James Stafford, durante a apresentação de um livro sobre as jornadas da juventude.Stafford defendeu o papel dos jovens contestadores - "pacíficos", sublinhou - que estarão na cidade. "São eles quem mantêm aberto o diálogo entre a política dos países ricos e as exigências dos países pobres. São eles os advogados mais comprometidos com a defesa dos que não têm voz."O cardeal declarou também que "o grande perigo de hoje" é o da concentração de todas as riquezas do mundo nas mãos de um pequeno grupo de poderosos."Falta o controle de um governo internacional. É importante que todos percebem que o mundo pobre deve ser escutado. Principalmente os jovens dos países menos desenvolvidos têm a necessidade e o direito de trabalhar, ter remédios, segurança e moradia", disse."Tenho a impressão de que a globalização da economia segue numa direção muito hostil a respeito dos países mais jovens e mais pobres. Não tenho certeza da determinação dos políticos do G-8 de criarem uma abertura para os problemas do terceiro mundo", afirmou o religioso.Por esse motivo, ele acredita que as manifestações antiglobalização são a única forma de diálogo entre pontos de vista muito diferentes. "Dessas contestações poderia nascer um futuro diálogo mais formal entre o mundo rico e o mundo pobre", defendeu.

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