Jovens atacam polícia em Paris

Um grupo com aproximadamente 30 jovens, armados com armas caseiras, alguns vestindo máscaras, atacaram dois policiais do choque que patrulhavam um conjunto habitacional fora de Paris em uma aparente emboscada. Um dos policiais teve sérios ferimentos, segundo policiais nesta quarta-feira. O ataque, na terça-feira à noite, trouxe o espectro de violência que assolou os subúrbios pobres no ano passado. O fato ocorreu entre relatos do aumento da delinqüência nos subúrbios. O prefeito de Essonne, onde o incidente ocorreu, disse que as gangues de jovens são engajadas em "atos de guerra". Um dos policiais, que teve dupla fratura no crânio, foi submetido a cirurgia nesta quarta-feira em um hospital de Paris, segundo a polícia. O outro foi liberado após tratamento. Os dois foram atacados por 20 a 30 jovens enquanto faziam patrulha em um carro normal, nos arredores de um conjunto habitacional conhecido como problemático na cidade de Corbeil-Essonnes, disse a polícia. Os jovens apedrejaram o carro, cercaram os policiais quando eles saíram e os atacaram, de acordo com várias testemunhas. "Os jovens esperavam escondidos nas árvores e então pularam, com os rostos cobertos, para atacá-los com socos e pedaços de madeira", afirmou Joaquin Masanet, chefe da união UNSA-Police, em entrevista. "Os dois policiais caíram em uma armadilha e (os jovens) estavam batendo para matar". A polícia foi chamada para dispersar a gangue, mas nenhuma prisão foi realizada. A UNSA-Police disse que "medidas excepcionais" serão tomadas para encontrar e prender os jovens envolvidos no ataque. O prefeito Gerard Moisselin, o mais alto funcionário do governo da região de Essone, afirmou que uma investigação está sendo realizada, mas que os agressores "desaparecem nos prédios". Bandos como esse "mostram muita agressividade em relação à "polícia", disse Moisselin na estação de televisão LCI. "Estamos lidando com verdadeiros atos de guerra contra a polícia, liderada por pequenos grupos", disse. As autoridades francesas têm mantido forte vigilância nos subúrbios ao redor das grandes cidades, onde se encontra a maioria dos conjuntos habitacionais, por receio de uma nova onda de violência como a ocorrida no ano passado, e duraram três semanas. De qualquer forma,ao menos em partes do estado de Paris, os sinais são de que a delinqüência juvenil só aumentou. Jean-Francois Cordet, prefeito do estado de Seine-Saint-Denis, mandou uma carta ao ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, em junho, reclamando do crescimento de 14% da violência corporal, um crescimento de 23% em roubos com violência e o sentimento de impunidade dos delinquentes juvenis. O primeiro-ministro, Dominique de Villepen, disse que as autoridades "tirariam as lições" do incidente em Corbeil-Essonne, instituindo as "técnicas apropriadas para antecipar melhor os riscos" à polícia.

Agencia Estado,

20 de setembro de 2006 | 12h04

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.