Jovens ativistas tibetanos rejeitam liderança de dalai-lama

Para um dos ativistas, procura do dalai-lama por uma autonomia autêntica da China era 'ilusão'

18 de março de 2008 | 17h51

Enquanto o dalai-lama é o líder espiritual do Tibete, muitos jovens tibetanos não o seguem em um ponto crucial - se a região deveria ter uma verdadeira autonomia ou independência da China. Tenzin Tsundue, de 32 anos, ativista tibetano e um dos dirigentes de uma marcha pró-independência de Dharmasala, na fronteira entre a Índia e o Tibete, disse que a procura do dalai-lama por uma autonomia autêntica da China era "ilusão", segundo informou nesta terça-feira, 18, a rede norte-americana CNN.   Veja também: Entenda os protestos no Tibete Conselho da ONU deve manter silêncio sobre crise no Tibete   Os jovens ativistas têm organizado marchas em todo o mundo pelo "Tibete Livre", exigindo a independência de uma pátria que a maioria deles nunca viu. Nascidos no exílio, eles rejeitaram o "meio termo" do dalai-lama de procurar "autonomia significativa" - não independência - provenientes da China. Os jovens ativistas também pedem por um boicote internacional das Olimpíadas de Pequim, algo que o Dalai Lama não quer fazer.   Em 2005 uma entrevista publicada pelo site Tibet Society of South Africa, Tenzin disse que era "altamente improvável" que a China iria fazer as mudanças exigidas por dalai-lama. "Porque o retorno do dalai-lama ao Tibete poderia inspirar e unir os tibetanos mais poderosos, provocando uma revolução, e a China não pode deixar que isso aconteça".   O governo chinês considera o Tibete uma província autônoma, mas muitos tibetanos dizem que é autônoma apenas no nome. O dalai-lama diz que os chineses freqüentemente tratam os tibetanos como cidadãos de segunda classe em sua própria terra. Ele argumenta que tibetanos precisam de uma completa e verdadeira autonomia para proteger seu patrimônio cultural.   "Sua Santidade tem freqüentemente implorado por autonomia - mas eles não vão se mexer, embora ele (dalai-lama) os criticasse por não fazer isso por muitos dos nossos jovens e por este compromisso", afirmou Tenzin.   Segundo ele, o movimento juvenil tibetano abraça a estratégia de protestos pacíficos do dalai-lama. "No método não-violento não há desacordo com Sua Santidade", disse Tenzin em entrevista à CNN na semana passada. "Existe essa diferença que vejo, especialmente entre as novas gerações de tibetanos, que estão dizendo sem compromisso na independência".   A China rejeita pedidos internacionais para falar com o dalai-lama, insistindo que o líder espiritual é um "separatista" e que seu "bando" organizou os protestos que chocaram o Tibete na semana passada e já se alastrou por três províncias chinesas vizinhas.   Dalai-lama, ao negar as acusação de que estaria por trás dos recentes surtos de violência na China, disse que o controle da cultura tibetana pelo país foi o combustível dos protestos. O líder espiritual caracterizou como "genocídio cultural" o que foi cometido pelas autoridades chinesas na região autônoma. Apesar disso, dalai-lama afirmou que pode renunciar se os protestos se agravarem.   Premier chinês Wen Jiabao disse que a China ter "muitas evidências para provar" que os protestos tibetanos foram "organizados, premeditados, organizados e instigados" pelo "bando" de dalai-lama.   Ainda assim, os jovens tibetanos exilados parecem decididos a fazer pressão pela independência.

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