Jovens jihadistas mobilizam agentes de 13 países

Rede de aliciamento opera na periferia de grandes cidades recrutando jovens muçulmanos radicais para guerra santa na Síria e no Iêmen

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2014 | 02h12

PARIS - Serviços secretos de países europeus, EUA, Turquia, Marrocos e Tunísia passarão a atuar juntos para identificar redes de recrutamento de jovens europeus e americanos que partem em direção à Síria para lutar na guerra civil contra Bashar Assad. Os detalhes da ação são mantidos em sigilo, mas a operação pretende combater movimentos radicais islâmicos que atuam na Europa.

As redes de recrutamento não envolvem apenas países europeus. Estima-se que 8,5 mil cidadãos de 70 países estejam lutando na Síria, a maioria contra, mas também a favor de Assad. Do total, só alguns milhares têm nacionalidade europeia. Entre eles estariam cerca de 300 franceses, 400 britânicos, 200 belgas, algumas dezenas de alemães e uma centena de americanos.

Independentemente da nacionalidade, o perfil dos recrutados é parecido: jovens de 16 a 30 anos, oriundos da periferia de cidades onde há alta concentração de comunidades islâmicas. Influenciados por líderes religiosos radicais, esses jovens frequentam grupos de estudos do Alcorão, radicalizam-se e só então são abordados pelos recrutadores. Em seguida, partem para Istambul, na Turquia, de onde viajam para a Síria.

Em resposta, ministros de nove países da Europa se reuniram em Bruxelas para adotar medidas conjuntas para enfrentar as redes de aliciamento. Participaram também representantes de Turquia, EUA, Marrocos e Tunísia. "Não é só um problema nacional. É uma questão internacional", disse a ministra do Interior da Bélgica, Joëlle Milquet. "Não tornaremos públicas as ações sigilosas, mas vocês ficariam surpresos."

Bernard Cazeneuve, ministro do Interior da França, confirmou que são ações operacionais que surgiram da cooperação entre os países. "Se quisermos evitar que nossos jovens tomem parte em operações jihadistas no exterior, é preciso cooperação entre nossas plataformas aeroportuárias", disse.

Na Bélgica, o problema preocupa as autoridades. A professora Véronique Loute vive na pele a incerteza por seu filho, Sammy, que partiu para Alepo, na Síria, há um ano e nove meses, após ser recrutado por uma organização islâmica.

Mobilizada na luta contra o jihadismo, ela participou, na sexta-feira, de um evento da ONG belga Rede Muçulmana Europeia, com a presença do filósofo muçulmano Tariq Ramadan. "A comunidade muçulmana começa a refletir e se questionar", disse ela ao Estado. "Eles não se sentem responsáveis, mas começam a refletir."

A preocupação ganhou ainda mais corpo na quinta-feira, quando as forças de segurança do Iêmen informaram ter prendido dois franceses suspeitos de integrarem células da Al-Qaeda na Península Arábica. As informações foram confirmadas pela chancelaria da França, que disse estar cooperando com autoridades locais. O risco é que as redes de recrutamento intensifiquem o aliciamento para outros países islâmicos com atividades terroristas.

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