Jovens jogam pedras em comboio do presidente da Nigéria

Manifestantes jogaram pedras em carreata eleitoral de Goodluck Jonathan em razão de fracasso no combate aos extremistas

O Estado de S. Paulo

29 de janeiro de 2015 | 15h49

ABUJA - Um grupo de jovens da cidade de Jalingo, irritados com o fracasso do governo nigeriano no combate a extremistas islâmicos, jogou pedras contra o comboio eleitoral do presidente Goodluck Jonathan nesta quinta-feira, 29, quebrando para-brisas e janelas de vários veículos. Um repórter da Associated Press que estava no local não conseguiu ver se havia feridos. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

De Jalingo, Jonathan foi de avião para Yola, a capital do Estado de Adamawa, onde autoridades isolaram a rota por onde o comboio presidencial passou. Na semana passada, a caravana presidencial já havia sido apedrejada na cidade de Katsina, no norte, e em Bauchi, nordeste do país. Jovens de Bauchi arremessaram sapatos e garrafas de plástico contra o palco onde Jonathan estava durante um comício.

Em Jalingo, soldados faziam a segurança de outdors e pôsteres de Jonathan, que concorre à reeleição no pleito de 14 de fevereiro. Os manifestantes gritaram que as tropas deveriam estar lutando contra o Boko Haram em vez de fazer a segurança do presidente. O grupo é acusado da morte de cerca de 10 mil pessoa no ano passado.

"Por que eles estão usando soldados e outros agentes de segurança? Eles deveriam ser enviados para Sambisa e lutar contra o Boko Haram, não contra civis inocentes", gritou um homem enquanto rasgava um pôster do presidente.

A floresta de Sambisa é o local onde os insurgentes têm acampamentos e onde, acredita-se, mantenham algumas das 276 estudantes sequestradas de uma escola interna na remota cidade de Chibok em abril do ano passado, um sequestro em massa que atraiu críticas internacionais.

Dezenas de meninas escaparam por conta própria, mas 219 continuam desaparecidas, como um lembrete do fracasso do governo e do Exército nigerianos.

Yola e Jalingo abrigam dezenas de milhares de pessoas expulsas de suas casas durante os cinco anos de insurgência de militantes islâmicos.

Não estava claro se os mais de 1 milhão de cidadãos desalojados pela insurgência serão capazes de votar em fevereiro. Centenas de milhares se refugiaram em Camarões, no Chade e no Níger. Além disso, não se sabe quantas dezenas de milhares permanecem nas mais de 100 vilas e cidades do nordeste do país, que estão sob o domínio dos insurgentes.

O Boko Haram, grupo que surgiu na Nigéria, vem atacando vilas e tropas camaronesas, ampliando o conflito e elevando os temores entre os vizinhos da Nigéria.

Uma reunião de cúpula da União Africana, que acontece na Etiópia nesta semana, vai tratar das necessidades de uma força multinacional para lutar contra os extremistas nigerianos. / AP

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