EFE/David Fernández
EFE/David Fernández

Questão do aborto divide argentinos

Câmara debate projeto que permite o aborto até a 14.ª semana de gestação

O Estado de S.Paulo

13 Junho 2018 | 22h08
Atualizado 14 Junho 2018 | 16h39

BUENOS AIRES - Em meio a pressão popular, a Câmara argentina votará na manhã desta quinta-feira, 14, pela primeira vez em sua história, um projeto de lei sobre a legalização do aborto no país. Manifestantes pró e contra a medida tomaram as avenidas em frente ao Congresso na manhã de quarta-feira e permaneceram durante toda a madrugada.

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Estimativas de meios de comunicação locais apontavam durante a madrugada uma tendência pela rejeição da proposta que permite o aborto até a 14.ª semana de gestação, mas no início desta manhã houve uma reversão de expectativa. A aprovação por poucos votos aparecia como cenário mais provável. Se passar, o projeto será encaminhado ao Senado. Se rejeitado, pode voltar à discussão no próximo ano. Até agora na Argentina, o aborto só é permitido em caso de estupro ou de risco para a vida da mulher.

“Há razões de saúde pública. Tivemos três ministros da Saúde, os três com visões distintas por pertencerem a governos diferentes, e eles coincidiam que a legalização do aborto melhora a atenção de saúde das mulheres argentinas”, disse o deputado Daniel Lipovetzky, responsável por conduzir os debates.

No continente. Na América Latina, o aborto sem restrições é legal no Uruguai e em Cuba. Também é permitido na Cidade do México. Em quase todos os demais países é permitido apenas no caso de risco para a mulher, quando não há chance de sobrevivência do feto ou se a gravidez for resultado de um estupro. Em El Salvador, Honduras e Nicarágua ele é proibido completamente.    

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O debate parlamentar sobre a descriminalização do aborto, considerado até agora um tabu na Argentina, provocou debates em numerosos colégios de todo o país e os estudantes começaram a liderar a campanha para obter a liberação.

Os estudantes ocuparam várias escolas públicas de Buenos Aires na terça-feira e ontem tomaram as imediações do Congresso para exigir que os deputados aprovassem a lei de aborto legal, seguro e gratuito e anulassem a atual legislação, que data de 1921. / AFP e EFE

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