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Jovens quenianos desenvolvem aplicativo para pedir ajuda em caso de emergências

Cidade de Nairóbi conta com uma alta taxa de criminalidade, mas número de telefone gratuito para denunciar crimes não funciona

O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2017 | 12h04

NAIRÓBI - Nairóbi é uma das cidades com a maior taxa de criminalidade da África. Se algum queniano for roubado na região, a última coisa que ele irá fazer é ligar para o número gratuito de emergências, pois sabe que ninguém atenderá.

A partir disso, um grupo de jovens criou um aplicativo para pedir ajuda em caso de emergência. Em um país onde é perigoso andar pelas ruas depois do pôr do sol, onde 13 mil pessoas morrem por ano em acidentes de carro e onde quase a metade das mulheres sofre violência doméstica, os serviços de emergências e a polícia não têm números públicos de atendimento.

Edwin Inganji, um dos criadores do aplicativo de segurança Usalama, entrou para as estatísticas de criminalidade do Quênia há quatro anos, quando voltava à noite da universidade com um notebook, uma mochila e um celular. "Um grupo de caras surgiu do nada. Levei socos no estômago, caí e eles começaram a roubar as minhas coisas. Percebi que estavam armados, então deixei levarem tudo", relatou.

A desagradável experiência, apesar de muito comum na cidade, foi o estopim para a criação do Usalama, ferramenta que Inganji e três amigos começaram a desenvolver em 2013 e que hoje, dois meses após o lançamento oficial, já foi baixado por mais de três mil pessoas.

"O que eu ia fazer se eles tivessem atirado e ninguém ouvisse os meus gritos?", questionou. A única opção seria ligar para algum amigo ou parente, porque "ninguém teria respondido" no serviço de emergência, lamentou.

"Eu poderia ter morrido", afirmou, lembrando o que poderia acontecer com ele e com muitos outros quenianos que, após um acidente de trânsito ou um assalto, esperam horas até a chegada de uma ambulância.

A polícia queniana encerrou o serviço da linha gratuita de emergências em 1998, sob o argumento de que não tinha funcionários ou instalações suficientes. Depois de 15 anos inativa, a linha foi restabelecida por ordem judicial, mas não funciona. "Estamos tão acostumados a serviços medíocres que pensamos que isso é o normal", destacou outro cofundador do Usalama, Kenneth Gachukia.

O aplicativo permite ao usuário se conectar rapidamente com algum serviço de ajuda em seis tipos de emergência: assalto à mão armada, invasão de domicílio, roubo de carro com violência, avaria mecânica, violência doméstica ou emergência médica.

Uma interface simples com seis botões que representam cada uma destas situações permite ao dono do telefone se conectar em questão de segundos com ambulâncias, mecânicos ou alguma das dezenas de empresas de segurança particular que prosperam no país.

Diante de uma emergência muito grave não é preciso sequer procurar o ícone na tela: basta agitar três vezes o aparelho para acessar o menu. Se for necessário não chamar a atenção, a vítima pode enviar sua localização e um sinal de alerta aos contatos que ela escolher clicando na tecla de volume.

"É um botão do pânico. O aplicativo é mais efetivo do que a linha de emergências porque te mandará uma ambulância ou um agente de segurança que esteja por perto", ressaltou Inganji.

Os jovens tentam agora apresentar o projeto à polícia queniana, mas não têm muitas esperanças. "O sistema na África é diferente de outros países. Aqui os serviços públicos de emergências não sentem que têm responsabilidade social ou que devem melhorar o sistema. Isso representaria ter de trabalhar mais", ironizou Gachukia. / EFE

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