Judeu ultra-ortodoxo assume prefeitura de Jerusalém

Pela primeira vez, um judeu ultra-ortodoxo vai assumir a prefeitura de Jerusalém, depois que o atual ocupante do cargo anunciou, neste domingo, sua renúncia. A mudança reflete as crescentes presença e influência dos judeus de roupas negras e hábitos austeros na cidade sagrada.Uri Lopolianski, do partido ultra-ortodoxo israelense Agudat, substituirá Ehud Olmert, prefeito desde 1993 e membro do partdo de direita Likud, o mesmo do primeiro-ministro Ariel Sharon. Olmert decidiu deixar a prefeitura para retomar sua cadeira no Parlamento. Lopolianski ficará no cargo apenas até que se realize uma eleição municipal extraordinária, provavelmente em outubro, mas sua ascensão ilustra uma disputa crescente na cidade, conforme os ultra-ortodoxos ganham poder.Outros moradores de Jerusalém começam a se sentir contrariados, queixando-se de pagar uma quantidade de impostos desproporcional aos benefícios que recebem, enquanto os ultra-ortodoxos, a maioria dos quais tem famílias grandes, dependem das verbas sociais do governo para se sustentar, uma vez que os homens ficam em casa, estudando os textos sagrados.A vereadora secular Roni Alloni diz que Lopolianski é "a pior coisa que poderia acontecer a Jerusalém". Ela teme que o prefeito ultra-ortodoxo proíba jogos de futebol durante o Sabbath (o período sagrado semanal que vai do pôr-do-sol de sexta-feira até o pôr-do-sol de sábado), além de cortar verbas para museus e permissão de funcionamento para bares e restaurantes que costumam abrir durante o período.Dois terços dos 600 mil habitantes de Jerusalém são judeus. A cidade é reivindicada integralmente por Israel como capital, e os palestinos querem que o setor muçulmano de Jerusalém venha a ser a sede de um futuro Estado independente palestino.Nos últimos anos, mais da metade dos alunos que ingressam na escola, aos 6 anos, são ultra-ortodoxos, como reflexo da alta taxa de natalidade no interior do grupo. Lopolianski, de 50 anos, tem 12 filhos e cumpre mandatos de vereador de Jerusalém há 15 anos. Em Israel como um todo, os judeus ultra-ortodoxos são menos de 10% da população.

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