Sebastian Scheiner / AP
Sebastian Scheiner / AP

Judeu ultraortodoxo esfaqueia 6 em Parada Gay de Jerusalém

Dois dos feridos estão em estado grave; autor do ataque já tinha sido preso por crime similar em 2005 e saiu da cadeia recentemente

O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2015 | 15h49

JERUSALÉM - Um judeu ultraortodoxo esfaqueou seis pessoas nesta quinta-feira, 30, na Parada Gay de Jerusalém, disseram a polícia e testemunhas. O autor do crime, identificado como Yishai Schlissel, foi detido em flagrante. Ele tinha sido libertado recentemente da prisão após ter sido condenado por um ataque similar, cometido em 2005. O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu condenou o episódio. 

Segundo o Serviço de Emergência de Israel, dois dos seis feridos estão em estado grave. A parada transcorria em normalidade quando a celebração da multidão deu lugar a gritos de pânico. Um fotógrafo da Associated Press conseguiu registrar o ataque às vítimas. 

A primeira delas, uma mulher, caiu ensanguentada no chão, após os primeiros ataques. Em seguida, um homem com um rastro de sangue nas costas desmaiou. Outros quatro ataques ocorreram até que os paramédicos chegassem ao local, observados pela multidão em prantos. 

Segundo o hospital Shaarei Tzedek, as duas primeiras vítimas – um homem e uma mulher em seus 20 anos – estão em estado grave. De acordo com a imprensa israelense, depois do ataque, milhares de moradores de Jerusalém que não estavam na Parada Gay se uniram ao ato após o ataque em solidariedade contra a homofobia. 

“O preconceito está entranhada na nossa cidade. Por isso a parada é necessária”, disse Benny Zupick, de 21 anos, após o ataque. “Estamos tentando mudar isso. Só é necessário uma pessoa para fazer algo como isso. Espero que ele seja u ma minoria.”

A maioria dos moradores de Jerusalém, sejam eles judeus, muçulmanos ou cristãos, se opõem à homossexualidade, segundo pesquisas de opinião, e se opõem à realização da Parada Gay na cidade.  “É um caso muito grave e levaremos os responsáveis à Justiça. No Estado de Israel, a liberdade de escolha dos indivíduos é um valor básico”, disse Netanyahu. “Devemos garantir que todo homem e toda mulher vivam em segurança quaisquer que sejam suas opções.”

O presidente Reuven Rivlin também divulgou nota sobre o caso. “Pessoas celebrando sua liberdade e expressando sua identidade foram cruelmente esfaqueadas”, disse Rivlin. “Não podemos nos enganar. A falta de tolerância nos levará ao desastre e não podemos permitir crimes como esse. Devemos condenar quem os comete e quem os apoia.” / AP e AFP

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelParada Gay

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.