Photo by Frank Rumpenhorst / dpa / AFP / Germany OUT
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Judeus alemães aderem a extremistas e comunidade judaica reage

Cerca de 20 judeus criaram grupo próprio dentro do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), e foram duramente criticados por organizações judaicas no país

O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2018 | 22h35

O maior partido de extrema direita alemão, o Alternativa para a Alemanha (AfD), ganhou um apoio inesperado neste domingo, 7. Apesar do histórico de comentários antissemitas feitos pelos membros do partido e da banalização do Holocausto, cerca de 20 judeus alemães se reuniram no domingo, 7, para lançar seu próprio grupo dentro do partido, chamando a si mesmos de “Judeus na AfD”.

O movimento causou reação da comunidade judaica na Alemanha. Em Frankfurt, 250 judeus protestaram contra a nova facção da AfD. Diversas organizações judaicas também criticaram os extremistas. O grupo se defendeu e garantiu que seu alvo é o islamismo, que seria incompatível com a Constituição alemã. “Não somos uma organização religiosa, somos uma organização política”, disse o líder do Judeus da AfD, Wolfgang Fuhl.

Ele disse que as pessoas que desejam se juntar ao grupo devem atender a dois quesitos: ser membro da AfD e ter associação étnica ou religiosa com a fé judaica. Vinte novas pessoas se associaram ao grupo no evento de domingo, 7.

A AfD entrou no Parlamento alemão pela primeira vez nas eleições do ano passado, recebendo apoio de um grande número de eleitores irritados com a decisão da chanceler Angela Merkel de receber, em 2015, cerca de 1 milhão de refugiados. O sucesso do movimento causou preocupação nas autoridades israelenses e em grupos judaicos na Europa e nos Estados Unidos. 

Rogers Brubaker, professor de sociologia da Universidade da Califórnia e especialista em nacionalismo e populismo, disse à revista The Atlantic não ter ficado surpreso ao ver um pequeno número de judeus alemães apoiando a AfD. “O anti-islamismo tornou-se um marco para partidos anti-imigração da direita radical em toda a Europa nos últimos 15 anos”, disse ele. “A lógica é que o inimigo do meu inimigo é meu amigo.” / REUTERS e AFP

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