Judeus celebram fim de moratória em assentamentos

Colonos judeus soltaram balões e quebraram o chão de uma creche nas horas que antecederam o fim de uma moratória de obras em assentamos judaicos que estendeu-se por dez meses enquanto diplomatas norte-americanos e israelenses tentavam encontrar algum meio de evitar que os palestinos cumpram a promessa de abandonar as recém-retomadas negociações de paz no Oriente Médio.

AE, Agência Estado

26 de setembro de 2010 | 19h47

Em Revava, um assentamento judaico no interior da Cisjordânia ocupada, cerca de 2.000 pessoas soltaram no ar 2.000 balões de gás azuis e brancos (as cores da bandeira de Israel) ao pôr-do-sol deste domingo. Os balões simbolizam as 2.000 unidades habitacionais que os colonos afirmam estar prontos para construir imediatamente.

"Isso (a moratória) acaba hoje e faremos o que estiver a nosso alcance para que nunca mais aconteça de novo", disse Dani Dayan, um líder dos colonos, à multidão reunida. "Nós voltamos com mais energia e ainda mais determinados a povoar esta terra."

Nas proximidades de Revava, cerca de 130 judeus ultraortodoxos foram a uma creche no interior da Cisjordânia neste domingo para celebrar o fim formal da moratória de obras em assentamentos judaicos no território palestino ocupado. Os colonos retomaram simbolicamente as obras no local.

Os colonos judeus realizaram seus festejos apesar de o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ter pedido a eles que demonstrassem "moderação" com a proximidade do fim dos dez meses de moratória da expansão dos assentamentos judaicos. Em nota, Netanyahu pediu também aos colonos que voltassem atrás das manifestações que pretendiam realizar para evitar acirramento da tensão. Aos membros de seu gabinete de governo, Netanyahu orientou a não concederem entrevistas.

Ainda não se sabe ao certo como o fim formal da moratória afetará o andamento das obras. Netanyahu, vem dizendo que as futuras obras nas colônias judaicas seriam reduzidas a um "mínimo".

Em Paris, no entanto, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, conclamou Israel a manter a moratória e disse que, sem ela, negociar a paz seria "perda de tempo". Ainda segundo Abbas, o Estado judeu precisa fazer uma escolha: a paz ou os assentamentos. Enquanto Abbas falava na capital francesa, diplomatas norte-americanos, israelenses e palestinos estavam engajados em esforços diplomáticos de última hora em Washington na busca por um acordo para salvar as negociações de paz.

Os palestinos ameaçavam abandonar as negociações se as construções fossem retomadas, enquanto Netanyahu insistia em que não ampliaria o prazo, apesar dos apelos públicos do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Se ambos lados não chegarem a um compromisso, o fim da moratória pode marcar também o fim das negociações de paz no Oriente Médio, reinauguradas pela Casa Branca há menos de um mês. O processo de paz foi suspenso pela última vez em dezembro de 2008, após 22 dias de conflitos em Gaza.

A moratória expirou à meia-noite de hoje (em Jerusalém, 19h em Brasília) e não havia relatos referentes a progressos nas negociações de última hora em Washington. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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