Judeus e irlandeses habitam bairro onde caiu o Airbus

A queda de um avião Airbus A300 sobre Far Rockaway, um bairro residencial na região do Queens, traz de volta a desagradável sensação de impotência vivida pelos habitantes da grande Nova York nos dias que se seguiram aos ataques terroristas que derrubaram as torres gêmeas do World Trade Center. A cidade vivia um tranqüilo feriado (Dia do Veterano) quando o avião que fazia o vôo 587 da American Airlines caiu sobre cerca de 12 casas e empresas do bairro Rockaway, na extremidade sul da cidade, às margens do Oceano Atlântico. Embora haja uma grande comunidade de brasileiros vivendo no Queens, eles se concentram no bairro de Astoria, bem distante do local do acidente. Far Rockaway é uma comunidade formada por moradores de origem irlandesa e judaica de classe média alta. Trata-se de uma pequena península separada pelo Atlântico de um lado e a Baía Jamaica do outro. O vôo 587 estava marcado para decolar do aeroporto JFK às 8h40, mas saiu um pouco atrasado. O destino era São Domingos, na República Dominicana, mas às 9h17 (12h17 em Brasília) o avião caiu a cerca de 8 quilômetros sobre várias casas de Rockaway. Testemunhas ouvidas pelas televisões locais dizem que viram a turbina esquerda do avião em chamas antes de se separar do avião durante a queda. Uma testemunha disse ter visto o avião "mergulhar" entre as casas. Outra disse que o avião caiu sobre um posto de gasolina, próximo de sua casa. As primeiras imagens divulgadas pela televisão mostram que uma turbina caiu a quatro blocos do restante do avião, sobre um barco que estava estacionado numa casa. Pedaços da fuselagem caíram sobre casas residenciais e sobre um posto de gasolina Texaco. O posto não explodiu como conseqüência do choque. As redes de TV não puderam mostrar imagens ao vivo da cena do acidente, pois os helicópteros usados neste tipo de cobertura estão proibidos de voar sobre a área. As imagens que estão sendo exibidas, feitas por cinegrafistas amadores, mostram que aparentemente o fogo se espalha de uma casa para outra, por causa do forte vento. De acordo com testemunhas, uma explosão foi ouvida antes de o avião atingir o chão. Em Nova York, não há senso de pânico, pelo menos do lado de fora dos apartamentos. As pessoas já vinham sendo extraordinariamente cuidadosas, em função dos alertas feitos nas últimas semanas pelo FBI de que um ataque terrorista poderia vir a ocorrer. Além da presença reforçada da polícia, a cidade mantém seu ritmo de feriado. O dia frio de outono também ajuda a tensão dos moradores a ficar em grande parte restrita aos lares, de onde se tenta obter notícias pelas redes de TV. O prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, disse esperar que este seja um incidente isolado. "Neste momento não há nada que nos faça crer que seja mais do isso". Segundo Giuliani, Far Rockaway já havia sido particularmente atingido pelos ataques ao WTC, perdendo muitos moradores que trabalhavam lá ou no Corpo de Bombeiros da cidade. Uma moradora lembrou que uma igreja, onde houve vários serviços religiosos nos últimos semanas pelas vítimas dos ataques 11 de Setembro, foi atingida por uma parte do avião que caiu hoje. A American Airlines confirmou que havia 255 pessoas a bordo, 246 passageiros e nove tripulantes. O avião era um A300, da Airbus, com duas turbinas fabricadas pela General Electric (GE). De acordo com a Agência Federal de Aviação (FAA), este avião tem um bom histórico de segurança.

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