Brennan Linsley/AP
Brennan Linsley/AP

Judeus e muçulmanos dos Estados Unidos apoiam o democrata Obama

Apesar de críticas à política externa americana no Oriente Médio, a maioria das duas comunidades votará no Partido Democrata

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2012 | 02h05

NOVA YORK - As comunidades islâmica e judaica dos EUA apoiam, por ampla margem, a reeleição do presidente Barack Obama, apesar de ambas demonstrarem insatisfação com o desempenho do presidente em questões domésticas e externas. Segundo pesquisa do Comitê das Relações Islâmico-Americanas (Cair, na sigla em inglês), Obama deve ter quase dez vezes mais votos muçulmanos do que Romney. Até agora, são 68% a favor do democrata contra apenas 7% do republicano.

A diferença reflete uma tendência cada vez maior dos muçulmanos de simpatizarem com o Partido Democrata, iniciada depois do 11 de Setembro - em 2000, eles votaram majoritariamente a favor de George W. Bush. No último levantamento, mais da metade dos entrevistados dizem que o Partido Republicano não é simpático aos muçulmanos. "Os eleitores muçulmanos estão preocupados com o aumento da islamofobia na sociedade americana e com a exploração desse sentimento entre os republicanos", disse Nihad Awad, diretor da Cair.

 

Apesar das acusações de anti-islamismo contra o partido, especialmente feitas à ala mais conservadora do Tea Party, alguns políticos republicanos, como o governador de Indiana, Mitch Daniels, descendente de cristãos sírios, já foram premiados pelo Instituto Árabe Americano pela luta contra a islamofobia. O ex-presidente George W. Bush também recebeu elogios do próprio Cair por sua atitude em defesa dos muçulmanos americanos depois do 11 de Setembro.

Segundo a pesquisa, para os muçulmanos, os maiores problemas dos EUA são economia, educação, o sistema de saúde e os direitos civis. Muitos deles se sentiram invadidos pela espionagem da polícia de Nova York em mesquitas e em grupos estudantis em universidades.

Obama, por sua vez, recebe elogio de 76% dos muçulmanos pela intervenção na Líbia, mas a quase totalidade deles se mostra contra o uso de drones em ataques contra suspeitos de terrorismo no Iêmen, Afeganistão e Paquistão.

Judeus

 

Os americanos de origem judaica historicamente apoiam os democratas. Nas últimas seis eleições, George Bush (pai) foi o republicano que mais teve votos de judeus (35%). Em 2008, Obama derrotou John McCain por 78% a 21%. Na Flórida, um dos Estados-chave, os resultados foram similares.

 

Nesta eleição, Romney, que trabalhou com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, em uma consultoria de Boston nos anos 70, tem buscado conquistar o eleitorado judaico por meio de críticas à forma como Obama lida com Israel. Segundo o republicano, ele pretende mudar a embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém e disse que o país será o primeiro a ser visitado caso ele seja eleito - o presidente esteve em Israel apenas quando era candidato.

 

O problema é que Israel não está no topo da agenda dos judeus americanos, segundo levantamento do Public Religion Research Institute. Assim como para a maioria da população americana, incluindo os muçulmanos, o mais importante para eles é a economia. A vantagem de Obama sobre Romney entre os judeus segue igual à de 2008, segundo o American Jewish Committee (63% a 27%). Por outro lado, 85% dos israelenses com cidadania americana (cerca de 80 mil eleitores) dizem que votarão em Romney.

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