Judeus ortodoxos se revoltam com morte de rabino

O bairro ultraortodoxo Mea Shearim, de Jerusalém, amanheceu hoje com vários veículos da polícia danificados, agentes agredidos, ruas cheias de pedras soltas e montanhas de detritos, além de uma loja de fotografia incendiada, depois da traumática morte do septuagenário rabino Yehuda Shlomo Samet. Cerca de 10.000 judeus ortodoxos participaram do funeral do rabino ontem à noite. Durante o enterro, a viúva desmaiou, e ao término das orações, centenas de pessoas entraram em conflito com a polícia, obstruindo a entrada de Jerusalém. Toda a comunidade ultraortodoxa vinha acompanhando o estado de saúde do religioso, que na semana passada sofrera lesões no crânio durante alguns incidentes ocorridos em frente à loja de fotografia. O judaísmo é contrário, por princípio, a toda reprodução gráfica do corpo humano. Por este motivo, a loja, de propriedade de Elhannan Ben Hakun, era pouco querida entre os habitantes de Mea Shearim. Segundo rumores, ali também se vendiam vídeos pornográficos. De acordo com uma reconstituição feita pelo semanário ortodoxo Mishpaha, tudo começou no início de novembro com um simples piquete de judeus em frente ao negócio de Ben Hakun: eles recitavam salmos em frente à loja, mas foram dispersados por ele, com um tipo de spray lacrimogêneo. Os piquetes se repetiram, irritando ainda mais o dono da loja até que, na semana passada, uma multidão incendiou o local. Sobre o desenvolvimento exato dos fatos há duas versões: Ben Hakun disse que recorreu à força para rechaçar os agressores. Em Mea Shearim, no entanto, conta-se que a manifestação ficou violenta depois que Ben Hakun empurrou o rabino. Hoje, o rabino-chefe Meir Israel Lau exigiu a criação de uma comissão para investigar o caso. "Queremos que, em nossa defesa, haja observadores internacionais em Mea Sharim", afirmaram alguns manifestantes.

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