Judeus persas sofrem com ameaça de conflito

Eles temem que Israel inicie uma guerra contra o Irã, que afetaria amigos e parentes e destruiria parte da terra natal

VIVIANE VAZ, ESPECIAL PARA O ESTADO, JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2012 | 03h07

A recente escalada na tensão entre Israel e Irã tem afetado uma comunidade especial: os judeus de origem persa. Dos 7,8 milhões de habitantes, Israel possui aproximadamente 250 mil judeus que migraram do Irã. Já o país persa possui a segunda maior comunidade de judeus no Oriente Médio - cerca de 30 mil pessoas, principalmente na região de Teerã, Isfahan e Hamedã. Os judeus persas temem que o governo do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, os leve a uma guerra que atingiria parentes e amigos no Irã e destruiria parte da cultura e paisagem da terra natal. Por outro lado, as ameaças do governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, também assusta os judeus em Israel, independentemente da origem.

Israel acusa o Irã de desenvolver um programa militar atômico que teria a intenção de varrê-los do mapa e ameaça bloquear o país persa com uma guerra preventiva. O Irã, por sua vez, garante que seu programa só tem fins civis.

O radialista Amir Menash, de 72 anos, conta que tem os dois países no coração. "Tenho duas terras natais: o Irã onde eu nasci e Israel onde vivo e sou feliz", afirma. "Se alguém me perguntar qual país gosto mais, diria que não se pode perguntar a alguém se ele gosta mais do pai ou da mãe", compara. Menash veio a Israel em 1959. Então com 19 anos, ele migrou acreditando no sonho da construção de Israel como um lar para os judeus e começou a vida como jornalista. Hoje, em tempos de conflito, seu programa em persa da Rádio Israel é um dos poucos fóruns para o discurso direto entre iranianos e israelenses.

Segundo o radialista, os ouvintes em Teerã não podem telefonar diretamente para Jerusalém por causa do controle e bloqueio do governo iraniano. As chamadas só podem ser feitas através de um número instalado na Alemanha que escapa à vigilância. A maioria dos ouvintes do Irã confessa sua preocupação com a possibilidade de um conflito armado e teme pela vida dos civis e da infraestrutura do país. A escalada das ameaças bilaterais também tem dificultado as viagens dos judeus persas, que antes visitavam a terra natal via Turquia com documentos de viagem especiais.

Os judeus iranianos em Israel não têm dúvidas quando o assunto é a defesa do país que escolheram para viver. "Não podemos nos dar o luxo de viver com um Irã atômico, sob a constante ameaça de um dia realmente nos varrer do mapa", justifica Avi Mordechai (sobrenome fictício), comerciante judeu de origem persa, de 26 anos.

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