Arquivo/Reuters
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Judiciário iraniano nega libertação de americanos Bauer e Fattal

Ahmadinejad anunciou ontem que a libertação dos alpinistas era 'questão de dias'

EFE

14 Setembro 2011 | 09h59

TEERÃ - O Poder Judiciário iraniano negou nesta quarta-feira, 14, que os americanos Shane Bauer e Josh Fattal, condenados a oito anos de prisão por espionagem e entrada ilegal no Irã, serão libertados após o pagamento de fiança e disse que o pedido a respeito de seu advogado está em estudo, informou o site oficial "dadiran.ir".

 

O advogado de Bauer e Fattal, Masoud Shafii, disse na terça-feira à Agência Efe que os dois americanos iriam ser postos em liberdade após o pagamento de fiança de US$ 500 mil cada um horas depois de o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, anunciar que a libertação deles era questão de dias.

 

Em entrevista ao "The Washington Post", Ahmadinejad revelou que ele havia outorgado "perdão unilateral" aos dois americanos, que classificou de "gesto humanitário".

 

 

Relações extremecidas

 

As relações de Ahmadinejad e do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, estão estremecidas e os dois disputam o controle de certos recursos do Estado, e em particular dos serviços secretos, revelam analistas iranianos.

 

"Só o Poder Judiciário informará sobre o tema e qualquer outro tipo de informação a respeito não está justificada", advertiu em nota o site do Poder Judiciário iraniano, em uma clara advertência a Ahmadinejad.

 

 

Sarah Shourd

 

Em 21 de agosto, a Procuradoria-Geral de Teerã confirmou de forma oficial a sentença de oito anos de prisão para Bauer e Fattal, detidos em 2009 com Sarah Shourd quando faziam uma trilha em uma área montanhosa do Curdistão iraquiano, em um ponto em que a fronteira do Irã e Iraque é difusa.

 

Há um ano, Shourd foi libertada pagando fiança de US$ 500 mil, por razões de saúde e humanitárias e voltou ao seu país, mas seus dois companheiros permaneceram em uma prisão de Teerã.

 

Ao confirmar a sentença de Bauer e Fattal, a Procuradoria-Geral esclareceu que os condenados tinham 20 dias para recorrer da sentença, o que fez o advogado.

 

A audiência final do julgamento contra Fattal, Bauer e Shourd se celebrou em 31 de julho e a sentença, segundo a lei, se devia haver feito pública de 7 de agosto, mas se atrasou.

 

 

Justiça

 

Em 6 de agosto, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Ali Akbar Salehi, demonstrou esperança em que o julgamento de Fattal e Bauer levasse a libertação e acrescentou que a justiça iraniana havia seguido o caso de forma "justa".

 

Os três acusados haviam declarado inocentes e tinham pedido a absolvição. Segundo eles, em nenhum momento tiveram intenção de entrar em território iraniano e tudo foi fruto de uma confusão depois que se desorientassem e errassem seu caminho.

 

Shourd explicou à imprensa americana em novembro que, na realidade, não invadiram o território do Irã até que policiais iranianos fizessem gestos para que se aproximassem de onde eles estavam.

 

Pelo relato dela, eles disseram "isto aqui é o Irã", antes de apontarem para a estrada onde estavam previamente e dizer: "e ali é o Iraque", momento em que foram presos.

 

A divisa entre os dois países na região do Curdistão não está suficientemente delimitada desde a guerra que ambas as nações travaram entre 1980 e 1988.

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