Judiciário paquistanês desqualifica premiê

O principal tribunal do Paquistão decidiu nesta terça-feira que o primeiro-ministro Yousuf Reza Gilani não pode permanecer no cargo em razão de uma condenação anterior de obstrução à Justiça. O veredicto da Suprema Corte foi um grande golpe para Gilani, que estava suspenso havia meses.

AE, Agência Estado

19 de junho de 2012 | 10h51

Gilani e seu partido, o maior da coalizão de governo, realizavam uma reunião de emergência para discutir o veredicto. No passado, o partido disse que teria apoio suficiente no Parlamento para eleger um novo premiê caso Gilani fosse derrubado por um decisão judicial.

Mas alguns auxiliares disseram que o primeiro-ministro pode tentar se manter no poder. Se Gilani resistir à ordem, a ação pode dar início a um impasse constitucional e a agitações sociais, chegando mesmo à possibilidade de um golpe militar, algo que já aconteceu três vezes no país no passado.

Em sua decisão, a Suprema Corte ordenou a comissão eleitoral do país a demitir formalmente Gilani e afirmou que ele não é legalmente o premiê do país desde 26 de abril, quando o tribunal o condenou por obstrução por ele ter se recusado a abrir uma investigação por corrupção contra o presidente Asif Ali Zardari.

"O cargo de primeiro-ministro deve ser considerado vago", disse o juiz que preside o tribunal, Iftikhar Chaudry, que também ordenou Zardari a iniciar o processo para a eleição de um novo primeiro-ministro.

O veredicto foi o fim de um processo que teve início com uma decisão da Suprema Corte em 2009, que ordenou o governo a pedir para as autoridades da Suíça reabrirem os casos contra Zardari. Gilani se recusou, dizendo que o presidente tinha imunidade enquanto estivesse no cargo. Em janeiro o tribunal iniciou o processo por obstrução contra ele.

Gilani vinha se recusando a deixar o cargo, afirmando que não fez nada de errado e acusando do presidente do tribunal de querer se vingar dele e de seu partido. As informações são da Associated Press.

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