Juiz aprova extradição de Noriega para a França

Preso nos EUA há 15 anos, sentença do ex-ditador panamenho termina em 12 dias

AP, Efe e AFP, Miami, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2029 | 00h00

Um juiz federal dos EUA aprovou ontem o pedido de extradição do ex-ditador panamenho Manuel Noriega para a França, onde ele foi condenado a 10 anos por lavagem de dinheiro. No dia 9, Noriega, de 73 anos, acabará de cumprir sua pena nos EUA - 15 anos por extorsão e narcotráfico. A decisão do juiz William Turnoff, contraria as expectativas do ex-ditador, que queria ser repatriado para o Panamá. "Posso assegurar a todos que essa história não termina aqui", disse o advogado de Noriega, Frank Rubino, prometendo apelar da decisão e levar o caso à Suprema Corte.   Veja perfil do ex-ditador panamenho Tropas americanas invadiram o Panamá em 1989 para caçar Noriega, acusado de ligações com cartéis do tráfico da Colômbia. Anos antes, o ex-ditador havia sido colaborador dos governos americanos de Ronald Reagan e George Bush (pai), servindo como agente da CIA (a agência de inteligência dos EUA) no período da Guerra Fria e barrando o aumento da influência dos sandinistas da Nicarágua na região.Após ser detido, Noriega foi levado para Miami com o status de prisioneiro de guerra e condenado a 40 anos (pena atenuada mais tarde). Foi com base nesse status que a defesa do ex-ditador tentou impedir sua extradição. Os advogados de Noriega argumentam que a Convenção de Genebra assegura que um prisioneiro de guerra deve voltar ao seu país após o fim das hostilidades. Já os promotores americanos alegam que se eles tiverem penas pendentes em outros países com têm acordo de extradição com os EUA, os presos podem ser entregues a eles.No Panamá, Noriega foi sentenciado a mais de 60 anos por corrupção e assassinato de opositores. Mas ele teria a possibilidade de conseguir o benefício da prisão domiciliar, previsto pela lei panamenha para prisioneiros com mais de 70 anos. Na França, ele é acusado de lavar US$ 3,2 milhões por meio de bancos franceses e da compra de luxuosos apartamentos em Paris. A possibilidade de obter benefícios na Europa seria mais remota.Noriega esteve à frente do governo panamenho por seis anos (de 1983 a 1989). Uma das ações militares mais complexas dos últimos anos, a ofensiva que o derrubou envolveu 23 mil militares americanos. Num episódio que ficou marcado pelo ineditismo, as tropas dos EUA montaram alto-falantes gigantes na frente da embaixada do Vaticano, onde Noriega se refugiara, e tocaram heavy-metal no máximo volume para convencê-lo a sair.Até a noite de ontem, o governo panamenho não havia feito comentários sobre a decisão do juiz americano. Adversários do ex-líder panamenho no país disseram-se "decepcionados" e qualificaram sua extradição para a França de uma "humilhação".

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