Juiz argentino anula indulto a ex-ditador Videla

Um juiz argentino anulou nesta terça-feira um indulto concedido em 1990 ao ex-ditador argentino Jorge Videla no processo que investigava o seqüestro de dois empresários durante seu governo militar.A resolução foi adotada pelo juiz Norberto Oyarbide, que um dia antes havia anulado, no mesmo caso, o perdão concedido pelo ex-presidente Carlos Menem aos ex-ministros da ditadura José Alfredo Martínez de Hoz (Economia) e Albano Harguindeguy (Interior).O magistrado investiga os seqüestros de Federico Gutheim e seu filho Miguel Ernesto, que passaram cinco meses presos entre 1976 e 1977. O objetivo dos seqüestradores era pressionar os executivos do setor algodoeiro para que aceitassem um contrato de exportação que beneficiaria o ministério da Economia.O ex-general Videla - o primeiro presidente do último período de ditadura na Argentina - cumpre prisão domiciliar por crimes contra a humanidade. Durante seu cativeiro, os Gutheim passaram por duas prisões da capital argentina e participaram de reuniões com funcionários do governo que tentaram convencê-los a aceitarem o negócio de interesse da ditadura.Libertados, os empresários processaram o Estado. Em 1990 ambos receberam US$ 16 mil de indenização.Antes de conhecer a decisão sobre Videla, Carlos Menem criticou a anulação dos indultos concedidos a Martínez de Hoz e Harguindeguy durante seu mandato. O ex-presidente classificou a medida de "desacerto total e absoluto". Em suas declarações, Menem afirmou ter conseguido "dez anos de paz" com os perdões outorgados. Para ele, os indultos "acalmaram os espíritos" e estabeleceram "justiça a todos".

Agencia Estado,

05 de setembro de 2006 | 21h15

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