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Juiz argentino divulga denúncia contra Cristina Kirchner

Queixa contém trechos de ligações telefônicas interceptadas e outras evidências para sustentar a principal acusação de promotor

O Estado de S. Paulo

21 de janeiro de 2015 | 17h09

BUENOS AIRES - O juiz federal da Argentina Ariel Lijo divulgou a denúncia completa, de 289 páginas, feita contra a presidente Cristina Kirchner por Alberto Nisman, o promotor que foi encontrado morto no início desta semana, um dia antes da data marcada para ele apresentar seu relatório em uma audiência do Congresso.

A denúncia contém trechos de ligações telefônicas interceptadas e outras evidências para sustentar a principal acusação de Nisman: de que Cristina Kirchner, o ministro das Relações Exteriores, Héctor Timerman, e outros conspiraram com o Irã para sabotar uma investigação sobre um ataque a bomba que deixou 85 mortos em um centro judaico em 1994.

A presidente, diz o relatório de Nisman, ordenou que intermediários negociassem secretamente um acordo com Teerã para oferecer impunidade aos suspeitos iranianos em troca de petróleo do Irã. Nisman, de 51 anos, que passou uma década investigando o ataque à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), havia acusado em um relatório anterior o Irã de ter elaborado o plano para explodir a bomba no local.

"Para entender o papel de Cristina nesse plano de impunidade é preciso deixar claro que o crime relatado aqui não poderia ter sido cometido sem a decisão e as ações subsequentes dela", diz a denúncia de Nisman. "De fato, a presidente da Argentina emitiu uma ordem expressa para que se desenhasse e executasse um plano de encobrimento para dissociar os iranianos acusados do ataque à Amia para garantir a eles impunidade definitiva."

O governo argentino não quis comentar a publicação da denúncia de Nisman, mas o chefe de gabinete, Jorge Capitanich, afirmou a jornalistas que o governo está trabalhando para esclarecer a morte do promotor e o caso da Amia. "A investigação judicial é essencial e está em andamento", disse. A embaixada do Irã em Buenos Aires também não quis fazer comentários.

Na semana passada, Capitanich descreveu a denúncia de Nisman de "ultrajante, ilógica e irracional". Na segunda-feira, em sua página no Facebook, Cristina Kirchner publicou uma carta em que deixava implícito que o próprio Nisman era parte da conspiração para encobrir a investigação do ataque a bomba. A carta da presidente foi publicada um dia depois de o corpo de Nisman ser encontrado morto no banheiro de seu apartamento em um bairro nobre de Buenos Aires, com um tiro na cabeça. / Dow Jones Newswires

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