EFE
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Juiz argentino pede informações sobre Mauricio Macri a Panamá e Bahamas

Investigação procura verificar se o presidente da Argentina, mencionado do Panama Papers, cometeu delito de ‘omissão maliciosa’ de dados em sua declaração de bens

O Estado de S. Paulo

03 Maio 2016 | 11h43

BUENOS AIRES - Um juiz argentino enviou despachos ao Panamá e às Bahamas para determinar se o presidente da Argentina, Mauricio Macri, teve ações em duas empresas com sedes nesses países, cuja existência foi conhecida a partir do chamado Panama Papers, uma lista de personalidades com companhias abertas em paraísos fiscais.

Sebastián Casanello pediu que seja informado "se Mauricio Macri está ou esteve como acionista" das empresas Fleg Trading LTD e da Kagemusha SA, respectivamente, e se essas sociedades registram "contas bancárias em seu nome ou em nome de algum de seus integrantes", informou uma fonte judicial.

Macri, líder da aliança de centro-direita Cambiemos, aparece como diretor na Fleg Trading, segundo revelaram os Panama Papers, e como vice-presidente da Kagemusha, de acordo com um registro oficial no Panamá.

O presidente argentino declarou que não há "nada a esconder" e que as sociedades em seu nome e em nome de sua família, que é dona de um império de negócios, não estão em operação.

O magistrado pediu que o despacho tramite "o mais rápido possível" e explicou que está em curso uma investigação para verificar se Macri cometeu o delito de "omissão maliciosa" de dados em sua declaração de bens. A pena para esse tipo de crime chega a dois anos de prisão.

Casanello detalhou no documento que o objetivo é "indagar sobre a relação entre as sociedades apontadas e o imputado, conhecer sobre a composição das firmas detalhadas, seu giro comercial e financeiro e, com base nisso, estabelecer sua possível vinculação com a manobra investigada".

A investigação é fruto de milhões de documentos vazados do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, envolvendo políticos e personalidades do mundo todo.

Familiares de Fernando de Andreis, funcionário-chave do chefe de Estado argentino, e Néstor Grindetti, ex-secretário da Fazenda quando Macri foi prefeito de Buenos Aires, também apareceram nos documentos com empresas offshore em paraísos fiscais. /AFP

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