REUTERS/Kevin Lamarque
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Juiz autoriza andamento de ação contra Trump por ganhos financeiros

Segundo procuradores, presidente esta violando a Constituição ao manter propriedades de seu império de negócios

O Estado de S.Paulo

29 Março 2018 | 00h35

WASHINGTON - Um juiz federal americano autorizou nesta quarta-feira (28) o andamento de parte de uma ação judicial que acusa o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de infringir salvaguardas da Constituição contra a corrupção ao manter a propriedade de seu império de negócios durante o mandato presidencial.

O processo foi apresentado em junho pelo procurador-geral de Washington D. C., Karl A. Racine, e pelo de Maryland, Brian E. Frosh, ambos democratas. Os procuradores asseguram em seu processo que Trump está violando artigos da Constituição que têm como objetivo evitar a corrupção do governo e a influência de poderes estrangeiros.

Um desses artigos proíbe os funcionários dos Estados Unidos de aceitar presentes de governos estrangeiros sem a aprovação do Congresso. Desde que Trump chegou ao poder, há mais de um ano, o Hotel Trump Internacional, situado no centro de Washington e a poucas ruas da Casa Branca, recebeu vários eventos de governos estrangeiros.

O juiz distrital Peter Messitte, de Maryland, rejeitou pedido apresentado pelo Departamento de Justiça solicitando que o caso fosse encerrado.

Em sua decisão, o magistrado determinou que os procuradores podem legalmente processar o presidente por seus negócios com o Hotel Trump Internacional.

O magistrado autoriza os procuradores a acessar documentos internos da Trump Organization, que inclui o hotel e na qual o presidente se mantém como proprietário, embora tenha cedido o controle de seus negócios a um colaborador e a seus dois filhos mais velhos, Donald Jr. e Eric Trump.

Embora o juiz tenha permitido que o processo siga em frente, também estreitou seu alcance e determinou que os procuradores têm jurisdição apenas sobre o hotel e não sobre outros negócios do presidente, como seu clube Mar-a-Lago em Palm Beach (Flórida), porque está longe demais para ter um impacto direto em Washington D. C. e Maryland.

A decisão ainda é passível de recurso por parte do Departamento de Justiça dos EUA, em representação de Trump.

Uma das porta-vozes do Departamento de Justiça, Kerri Kupec, não esclareceu se vão apresentar um recurso e se limitou a dizer que "o caso deveria ser rejeitado". / EFE

 

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