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Juiz chileno abre processo na Justiça contra ex-agentes da ditadura de Pinochet

Pedro Espinoza Bravo, Armando Fernández Larios e Michael Townley Welch são acusados de serem os responsáveis pelo assassinato da americana Ronnie Moffit e de um atentado contra o ex-chanceler chileno Orlando Letelier

O Estado de S. Paulo

16 Junho 2016 | 12h37

SANTIAGO - Um juiz chileno abriu um processo judicial contra três ex-agentes da ditadura de Augusto Pinochet, por sua responsabilidade no homicídio da americana Ronnie Moffit, em 1976, em um atentado dirigido ao ex-chanceler chileno Orlando Letelier, que também morreu.

Os ex-oficiais do Exército chileno Pedro Espinoza Bravo e Armando Fernández Larios, e o americano Michael Townley Welch - todos agentes da Dina (Direção de Inteligência Nacional), a temida Polícia secreta de Pinochet - serão julgados "na qualidade de autores do delito de homicídio qualificado de Ronnie Moffit", segundo a sentença divulgada no portal institucional do Poder Judiciário.

Moffit morreu após o estouro de uma bomba instalada no automóvel do ex-chanceler chileno Orlando Letelier, em um ataque planejado pelos três agentes em 21 de setembro de 1976, em Washington. Esse foi o primeiro ataque terrorista ocorrido na capital dos Estados Unidos.

Segundo a sentença, os três acusados planejaram e executaram o ataque com o objetivo de assassinar Letelier, que foi ministro de Relações Exteriores do presidente socialista Salvador Allende, derrubado por Pinochet em 11 de setembro de 1973, como parte de um plano da ditadura para eliminar importantes figuras da oposição ao regime militar.

Relatórios revelados pelos Estados Unidos em outubro de 2015 afirmaram que o atentado contra Letelier foi ordenado e, posteriormente, acobertado por Pinochet.

Dos três condenados formalmente, Espinoza já cumpre pena por esse caso. Chefe da Dina até 1978, Manuel Contreras cumpriu a sentença pelo crime e morreu na prisão em 2015. Ele havia sido condenado a mais de 500 anos por diversos crimes contra a humanidade.

Já Fernández Larios e Townley vivem nos Estados Unidos sob o sistema de proteção a testemunhas. A Justiça chilena solicitou a extradição de ambos por serem autores do assassinato do diplomata espanhol Carmelo Soria em 1976, também ordenado pela Dina. /AFP

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