Juiz chileno interrogará americano que ajudou ditadura no país

O juiz chileno Alejandro Madrid interrogará o ex-agente da Dina (polícia política chilena), Michael Townley, como parte da investigação pelo assassinato do químico Eugenio Berríos no Uruguai.De acordo com a justiça chilena, Townley está relacionado ao caso, pois sua casa funcionou como laboratório de Berrios na década de 1970. Neste lugar, o químico produzia gás sarin e outras substâncias supostamente usadas para assassinar opositores da ditadura de Augusto Pinochet.O ex-agente americano da Direção de Inteligência Nacional (Dina) vive em seu país de origem como testemunha protegida, após cumprir pena pelo assassinato do ex-chanceler chileno, Orlando Letelier, em 1976.O juiz espera que o ex-agente apresente novas informações para outros casos relacionados com Berríos, como a morte do ex-presidente chileno Eduardo Frei Montalva. Frei morreu no início de 1982, quando se recuperava de uma operação em uma clínica de Santiago. Ele liderava a oposição à ditadura de Pinochet, e sua família suspeita que tenha sido envenenado com alguma substância fabricada por Berríos. Eugenio Berríos foi visto pela última vez em novembro de 1992 no Uruguai, quando se apresentou em uma delegacia para denunciar que havia sido seqüestrado. Contudo, o químico foi entregue a militares, e seu paradeiro era desconhecido até abril de 1995, quando seu corpo foi encontrado em uma praia, com marcas de tiro na cabeça. Durante a investigação, o juiz Madrid também apresentou um recurso à Corte de Apelações para retirar os privilégios do ex-ditador Augusto Pinochet. Com isso, o ex-mandatário poderá ser interrogado. O tribunal ainda não se pronunciou sobre o assunto.

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