AP Photo/Charles Rex Arbogast
AP Photo/Charles Rex Arbogast

Brasileira consegue tirar filho de 9 anos de abrigo nos EUA

Lídia Karina foi separada de Diogo em 30 de maio; Itamaraty diz que há 58 crianças brasileiras detidas longe dos pais

O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2018 | 17h54

CHICAGO, EUA - Um juiz federal de Chicago ordenou nesta terça-feira a libertação imediata do menino brasileiro Diogo, de 9 anos, que foi separado de sua mãe, Lídia Karina Souza, na fronteira dos Estados Unidos com o México. Poucas horas depois, ela e o filho estavam juntos, após 29 dias.

O juiz Manish Shah, filho de imigrantes indianos, determinou que ela poderia ter a custódia de Diogo, que passou quase quatro semanas em um centro de acolhida contratado pelo governo americano em Chicago. “A contínua separação poderá afetar os dois irreparavelmente”, disse o juiz após anunciar a decisão. A mãe solicitou asilo às autoridades e foi liberada do centro de detenção do Texas no dia 9.

“O juiz Shah confirmou o estado de direito e adotou um passo definitivo que permitiu ao filho de Lídia estar com ela novamente. Esperamos que essa decisão beneficie famílias que enfrentam circunstâncias similares”, disseram os advogados Jesse Bless e Britt Miller em um comunicado.

Na terça-feira, outro juiz federal determinou que o governo de Donald Trump deve reunir as mais de 2.000 crianças com seus país em no máximo 30 dias, ou 14 dias no caso de menores de 5 anos.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, há 58 crianças brasileiras separadas de seus pais e retidas em abrigos americanos. O Itamaraty explicou que todos os consulados brasileiros estão buscando informações diariamente nos abrigos. À medida que avança este trabalho, aumenta o número de crianças nesta situação.

Desde sua liberação, Lídia Karina está morando com parentes nas imediações da cidade de Boston. Ela só tinha conseguido falar por telefone com o filho. Na terça-feira, ele conseguiu visitar Diogo, a quem não via desde 30 de maio.

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 Segundo jornalistas que acompanharam a visita, ela segurou o rosto de Diogo e perguntou como ele estava. “Estou melhor agora”, respondeu o menino. “Chorei muito na hora de dizer adeus. Ele pensava que eu o levaria para casa”, disse a mãe após a visita de uma hora.

Os advogados da brasileira haviam aberto uma ação contra o governo pela separação. “Estou confiante, mas esta espera é de cortar o coração”, disse Lídia após a abertura do processo. Diogo ficou isolado em um quarto depois de ter contraído catapora.

Enquanto algumas das crianças conseguiram se reencontrar com os pais nos últimos dias, advogados de imigração e funcionários do governo apontam que a maioria delas ainda está em grupos em abrigos ou lares adotivos provisórios. 

Parte do problema é que em muitos casos, pais e filhos são detidos a milhares de quilômetros de distância um do outro e muitos não sabem exatamente para onde foram levados seus filhos.

Apesar de as agências federais afirmarem que registraram cada criança com um número de identificação com referências diretas aos pais, ativistas do tema afirmam que muitos pais estão tendo problemas para chegar até os filhos ou não conseguem se quer uma resposta por telefone das autoridades. / AP e EFE

 

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