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Juiz diz que Pinochet está bem e que reza por ele

Nas vésperas de uma nova etapa da longa batalha judicial do general Augusto Pinochet, o juiz Juan Guzmán, que o indiciou, disse que o ex-ditador "está muito melhor psicologicamente do que eu imaginava". Em entrevista ao jornal La Tercera de Santiago, Guzmán também disse que sente carinho por Pinochet e até reza por ele. Antes da entrevista, o juiz havia dito que não daria mais declarações sobre o caso do ex-ditador. O magistrado, que mantém Pinochet em prisão domiciliar e quer julgar o ex-mandatário por acusações de homicídio e seqüestro, admitiu que não gosta de julgar pessoas enfermas, como Pinochet, mas disse que a lei chilena não aceita razões humanitárias para eximir acusados de responsabilidade penal.Ao La Tercera, o juiz disse ainda que Pinochet "é um homem normal, com os achaques próprios de sua idade", mas que psicologicamente o considerou em estado muito melhor do que esperava quando o interrogou no mês passado. A entrevista cita outros elogios de Guzmán a Pinochet, dizendo que ele desobedeceu à orientação de seus advogados de defesa e respondeu às perguntas do magistrado. "(Ele) foi muito valente..creio que quis enfrentar o julgamento, e o fez virilmente. Não quer escapulir da Justiça", disse Guzmán de Pinochet. "Talvez ele tenha a consciência tranqüila". Nos próximos dias, a Corte de Apelações de Santiago deverá pronunciar-se sobre a apelação da defesa de Pinochet em relação ao indiciamento e à prisão domiciliar ordenados por Guzmán. Mas o juiz poderá enfrentar uma complicação inesperada, após vir à tona que um primo dele, o major da reserva do Exército Carlos López Tapia, integrou a "Caravana da Morte", que é a base das acusações contra Pinochet.A caravana foi uma comitiva militar que executou 75 prisioneiros políticos em outubro de 1973, pouco após o golpe militar liderado pelo ex-ditador. A defesa de Pinochet até agora não disse se recusará a condução do caso por Guzmán pelo fato de o juiz não ter interrogado seu primo neste caso, como fez com numerosos outros oficiais - sete dos quais estão sendo processados, entre os quais Pinochet.

Agencia Estado,

05 de fevereiro de 2001 | 05h16

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