Juiz do Sudão multa jornalista por usar calças em público

Outras 12 mulheres foram condenadas; repórter se diz pronta para levar chibatadas caso seja necessário

Associated Press,

07 de setembro de 2009 | 11h10

Um juiz do Sudão condenou nesta segunda-feira, 7, uma jornalista por violar a lei de indecência pública do país por usar calças fora de sua residência e a multou em US$ 200, mas não impôs a punição de flagelação.

 

Lubna Hussein era uma das 13 mulheres presas no dia 3 de julho em Khartoum por uma operação das autoridades. Dez delas foram multadas e outras duas foram submetidas ao flagelo dois dias depois.

 

A jornalista, entretanto, se recusa a pagar a quantia ao governo. "Não vou pagar um único centavo", disse Lubna ainda sob custódia. Na sexta-feira, ela havia dito que preferia ir para a cadeia a pagar a multa, em protesto às leis estritas sobre roupas no país. "Não vou pagar nada, é uma questão de princípios. Vou ficar presa um mês. É uma chance de explorar as condições da cadeia", afirmou

 

O caso ganhou espaço na mídia do Sudão e de todo o mundo. Lubna tem usado o episódio para insuflar a opinião pública a respeito das leis no país, estritamente baseadas na interpretação do Islã.

 

O advogado da jornalista, Galal al-Sayed, disse ter aconselhado-a a pagar a multa e então recorrer da decisão, como anunciou que fará, mas afirmou que "ela insistiu". Al-Sayed afirmou que o juiz recusou seu pedido de apresentação de testemunhas de defesa e que as testemunhas da promotoria deram depoimentos contraditórios.

 

Segundo o advogado, o juiz tinha a opção de escolher a flagelação, mas aparentemente optou pela multa para evitar a crítica internacional. "Há um consentimento no mundo de que o flagelo é humilhante", disse.

 

Por ser uma emissária da ONU, a jornalista teria imunidade contra esse tipo de pena, mas seu advogado disse que ela renunciou ao benefício e quer enfrentar o julgamento para colocar o caso em destaque. Lubna disse que levará o caso à Corte Constitucional do Sudão se necessário, mas que se a corte decidir puni-la com a flagelação, estará pronta para "receber até 40 mil chibatadas", se isso for necessário para a abolição da lei.

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