Juiz do Supremo acena com anistia

Governo de facto dá primeiros sinais de que pode fazer concessões a Zelaya para superação de impasse político

Gustavo Chacra, TEGUCIGALPA, O Estadao de S.Paulo

08 de julho de 2009 | 00h00

Após mais de uma semana de posições pouco flexíveis, o governo de facto de Honduras começou ontem a dar sinais de que pode ceder para que seja encontrada uma saída para a crise que paralisa o país desde a deposição de Manuel Zelaya, dez dias atrás. A Suprema Corte indicou que uma anistia poderia abrir caminho para o retorno do presidente deposto, enquanto o presidente designado, Roberto Micheletti, defendeu a negociação capitaneada pelo líder costa-riquenho, Oscar Arias (mais informações na página 14).  Veja também: Zelaya e líder de facto reúnem-se amanhã sob mediação da Costa Rica Em Moscou, Obama reitera apoio a deposto Arias, o mediador, ganhou o Nobel da Paz nos anos 80 Chanceler pede desculpas por comentário racista Ouça o comentário do enviado Gustavo Chacra sobre a crise     Entrevista dos golspitas: realismo fantásticoEm entrevista ao diário hondurenho El Dia de Hoy, o presidente da Suprema Corte, Jorge Rivera Avilez, afirmou que uma possibilidade para superar o impasse seria "uma anistia política tanto para Zelaya quanto para outros atores envolvidos" na crise. A informação foi confirmada posteriormente por outras autoridades de Justiça em Tegucigalpa.Essa anistia seria apenas para crimes políticos. "Nossas resoluções podem ser aplicadas apenas em termos políticos, porque, no que corresponde a delitos de índole geral ou crimes comuns, não existe anistia", acrescentou Rivera.Zelaya recebeu ordem de prisão por 18 crimes, incluindo corrupção e traição à pátria. Caso volte, mesmo anistiado, ele ainda correrá o risco de ser detido. Segundo insistiu ontem o procurador-geral de Honduras, Luis Alberto Rubi, Zelaya será preso assim que pisar no território hondurenho.Para ser implementada, a anistia teria de ser aprovada pelo Congresso. Ontem, os deputados se reuniram, mas não debateram essa possibilidade oficialmente, segundo informaram parlamentares hondurenhos. Aos poucos, o tom agressivo contra Zelaya em Honduras começa a diminuir. Na semana passada, do presidente designado à Suprema Corte, passando pela imprensa e deputados, era comum escutar que Zelaya era "um criminoso e não retornaria de forma alguma para Honduras". Desde segunda-feira, um dia depois da fracassada tentativa de retorno do presidente deposto, todos começaram a falar mais em diálogo e mesmo os jornais mais contrários a Zelaya reduziram os ataques.O Congresso pode não falar abertamente em anistia, como a Suprema Corte, mas deputados, candidatos presidenciais e mesmo Micheletti aceitam que as eleições presidenciais sejam antecipadas para que a crise possa ser superada. Inicialmente, a votação está marcada para novembro.Em Tegucigalpa, a população dividiu-se em duas manifestações. Uma delas a favor de Zelaya, que contou com a mulher dele, Xiomara de Zelaya, que fez um discurso defendendo o retorno do marido. A outra, organizada pelos defensores do governo de facto, reuniu-se na praça principal da cidade. O toque de recolher foi mantido, mas as autoridades reabriram o aeroporto da cidade, fechado desde domingo.

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