REUTERS/Rebecca Cook
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Juiz americano bloqueia deportação de 1,4 mil iraquianos

Em sua decisão, Mark Goldsmith disse que a deportação deixaria os iraquianos, muitos deles cristãos, expostos 'a um risco comprovado de morte, tortura ou outras graves perseguições'

O Estado de S.Paulo

12 Julho 2017 | 03h50
Atualizado 12 Julho 2017 | 11h13

WASHINGTON - Um juiz federal dos Estados Unidos bloqueou na terça-feira a deportação de mais de 1,4 mil iraquianos, muitos deles cristãos, que alegavam que seriam perseguidos após serem expulsos dos EUA.

Alguns destes 1,4 mil iraquianos têm ordens de deportação há anos, até décadas, mas a negativa do Iraque de aceitá-los permitiu a permanência em solo americano. A sua situação, no entanto, mudou em março quando Bagdá concordou em recebê-los, após um acordo selado pelo novo presidente dos EUA, Donald Trump.

Embora a maioria destes 1,4 mil iraquianos continue foragida, as autoridades migratórias detiveram no mês passado 199 deles, principalmente em Detroit, no Estado de Michigan, e Nashville, no Tennessee, com a intenção de deportá-los imediatamente.

Os EUA argumentam que esses iraquianos cometeram crimes graves, desde homicídios a delitos relacionados com drogas ou armas. Os detidos, no entanto, entraram com uma ação com a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, sigla em inglês), principal organização dos direitos civis no país, para parar as deportações.

Eles alegaram que pela sua condição de minorias (muitos deles são católicos caldeus e curdos) estariam em risco de perseguição. Em sua decisão, o juiz Mark Goldsmith disse que deportando os iraquianos, eles ficariam expostos "a um risco comprovado de morte, tortura ou outras graves perseguições antes que as suas demandas legais sejam estudadas em tribunais" migratórios.

O Departamento de Justiça, que não reagiu ainda a decisão, argumenta que Goldsmith, nomeado pelo ex-presidente Barack Obama, não tem competências para tomar decisões deste tipo.

Detenção

Um pesquisador iraniano com trabalhos sobre câncer que seguia para um importante hospital de Boston para trabalhar como bolsista foi enviado de volta para seu país na terça-feira, um dia depois de autoridades de imigração dos EUA o deterem junto com sua família.

Mohsen Dehnavi, sua mulher e seus três filhos foram colocados em um voo de volta depois de serem detidos no final da segunda-feira no Aeroporto Internacional Logan, noticiou o jornal Boston Globe citando Stephanie Malin, uma porta-voz da Alfândega e da Patrulha de Fronteira dos EUA.        

As detenções não pareceram ter relação com o decreto do presidente Trump, que impede temporariamente a entrada de viajantes de seis países de maioria muçulmana, de acordo com o Hospital Infantil de Boston e especialistas em leis de imigração, que disseram que Dehnavi tinha um visto de entrada válido.

"Com base no que sabemos, não tem relação com a proibição de viagem. Provavelmente é algo muito mais idiota do que isso", disse Susan Church, presidente da filial da Associação Americana de Advogados de Imigração da Nova Inglaterra. "As regras dizem que, se você tem um visto de entrada válido, tem que ser aceito", explicou ela.

Duas semanas atrás, a Suprema Corte americana manteve uma versão revisada da proibição de Trump a viajantes de Irã, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen, embora tenha excluído visitantes com "laços familiares legítimos". O decreto presidencial não se aplica a viajantes com vistos válidos. / EFE e REUTERS

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